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quarta-feira, 28 de julho de 2021

GAANG SAU [耕手]: How to use it to improve quality of life.

 

[Patriarca Moy Yat demonstra o GAANG SAU 耕手 durante palestra]
[Patriarch Moy Yat shows the GAANG SAU 耕手 during a seminar]

Existe um “dispositivo corporal” na terceira parte do Siu Nim Tau chamado “GAANG SAU [耕手]”. Algumas pessoas chamam de “técnica”. O importante para mim, é que possamos observar que o “Gaang Sau [耕手]” aparece na terceira parte da sequencia de movimentos[também chamada de “forma”]. Ele não aparece nem na primeira parte e nem na segunda. E isso, pode querer dizer alguma coisa. Afinal, mesmo que você entenda que existe mais de um  “Taan Sau [攤手]” no Siu Nim Tau, nenhum deles é igual. 

There is a “body device” in the third part of Siu Nim Tau called “GAANG SAU [耕手]”. Some people call it “technique”. The important thing for me is that we can observe that the “Gaang Sau [耕手]” appears in the third part of the movement sequence [also called “form”]. It doesn't appear in the first or the second part. And that might mean something. After all, even if you understand that there is more than one “Taan Sau [攤手]” in Siu Nim Tau, none of them are the same.
[Patriarca Moy Yat mostra o “Taan Sau [攤手]” executado
 após o  “Gaang Sau [耕手]” no Siu Nim Tau]

[Patriarch Moy Yat shows “Taan Sau [攤手]” performed
  after “Gaang Sau [耕手]” in Siu Nim Tau]


Observamos que um dos  “Taan Sau [攤手]” na terceira parte do Siu Nim Tau, ocorre exatamente logo após a execução do  “Gaang Sau [耕手]”. Logo depois de se configurar o  “Taan Sau [攤手]”, faremos outros movimentos completamente diferentes de outros trechos da sequencia. Com isso, podemos entender a ideia de que no chamado “Pensamento Clássico Chinês”, o  “1=3”. Ou seja, cada coisa que acontece tem três momentos distintos: Um movimento que antecede, o movimento em si e o movimento seguinte. E talvez seja olhando para o que vem antes e o que vem depois, que consigamos obter melhor indícios significativos, de como expressar um movimento. 

We note that one of the "Taan Sau [攤手]" in the third part of Siu Nim Tau, occurs just after the performance of "Gaang Sau [耕手]". Right after setting up the “Taan Sau [攤手]”, we will do other moves that are completely different from other parts of the sequence. With this, we can understand the idea that in the so-called “Chinese Classical Thought”, the “1=3”. That is, each thing that happens has three distinct moments: A movement that precedes it, the movement itself and the movement that follows. And maybe it's by looking at what comes before and what comes after that we can get better meaningful clues about how to express a movement.
[Caminhando com meu Si Fu na capital do Ducado de Luxemburgo na Europa]

[Walking with my Si Fu in the capital of Luxembourg in Europe]

Então você pode me ver vivendo uma experiência curiosa quando estou com meu Si Fu, principalmente em viagens internacionais e estamos com o horário bem apertado. Pois em momentos assim, ele costuma caminhar bem rápido, e acompanhá-lo não parece uma tarefa fácil. 
O Si Fu, é a pessoa que você elegeu no mundo das artes marciais chinesas, para você seguir. Por isso, voce é considerado um “seguidor”[ To Dai 徒弟] . Isso acontece porque o radical “ To”[走] do ideograma com mesmo som “To[徒]” do termo  [“ To Dai 徒弟”], significa sozinho “caminhar”. Porém, ao adicionarmos o radical de “duas pessoas” [彳], podemos entender então o “To[徒]” do termo  [“ To Dai 徒弟”] como “caminhar junto”.  Mas “caminhar junto” até quando? Até se tornar um “Dai[弟]”, um “irmão de caminhada” ainda que “menos experiente”, como o ideograma sugere.

So you can see me having a curious experience when I'm with my Si Fu, especially when traveling internationally and we're on a very tight schedule. Because at times like this, he tends to walk very fast, and keeping up with him doesn't seem like an easy task.
Si Fu is the person you chose in the world of Chinese martial arts, for you to follow. Therefore, you are considered a “follower”[ To Dai 徒弟] . This happens because the radical “To”[走] of the ideogram with the same sound as “To[徒]” of the term [“To Dai 徒弟”], alone means “to walk”. However, by adding the stem of “two people” [彳], we can then understand the “To[徒]” of the term [“To Dai 徒弟”] as “walking together”. But “walking together” until when? Until becoming a “Dai[弟]”, a “walking brother” even if “less experienced”, as the ideogram suggests.
[Caminhando com meu Si Fu na capital do Ducado de Luxemburgo na Europa]

[Walking with my Si Fu in the capital of Luxembourg in Europe]


Por vezes, ao caminhar com meu Si Fu, estava com passos mais rápidos do que o dele. Nesses momentos, ele tocava meu ombro e pedia :“Pereira, você não quer andar junto comigo?” ou ainda “Pereira, você não quer ir mais devagar?”. - Essas eram perguntas que me ajudavam a tomar consciência, de que mesmo caminhando ao lado de alguém, é muito fácil mantermos o nosso ritmo, esquecermos da pessoa e nos desconectarmos dela. Já em outras ocasiões, precisava caminhar rápido para alcançá-lo numa situação que necessitava uma urgencia maior. Ou mesmo dirigindo a caminho do aeroporto ou algum evento, Si Fu já disse em várias ocasiões: “Pereira, acelera aí senão vamos atrasar!” - E nesses momentos, eu podia entender um pouco melhor a ideia de sairmos do nosso padrão normal, para nos conectarmos com uma situação de urgência. 

Sometimes, when walking with my Si Fu, I was walking faster than him. In those moments, he would touch my shoulder and ask: "Pereira, don't you want to walk with me?" or even “Pereira, don't you want to go slower?”. - These were questions that helped me to become aware, that even walking beside someone, it is very easy to keep our pace, forget about the person, and disconnect us. On other occasions, I needed to walk fast to reach him in a situation that needed greater speed. Or even driving on the way to the airport or some event, Si Fu has said on several occasions: "Pereira, speed up or we'll be late!" - And in those moments, I could understand a little better the idea of getting out of our normal pattern, to connect with an urgent situation.

Então, quando fazemos o “Gaang Sau [耕手]” da terceira parte do Siu Nim Tau. Nossa mão sai da Linha Central média para cobrir um ponto mais baixo[FOTO]. Por se tratar da terceira parte, parece-me que a sequencia neste ponto diz que algo de urgente aconteceu e precisamos ir até lá, sendo o “Gaang Sau [耕手]” nossa melhor opção. Não só por conseguir cobrir esse ponto, mas por ter se desdobrado de um “Taan Sau [攤手]” e se desdobrar em outro “Taan Sau [攤手]”. Portanto, o  “Gaang Sau [耕手]”, nos ajuda a entender[dentre outras possibilidades] que em situações de emergência, talvez tenhamos que agir com o que temos, no momento em que é necessário e sem desculpas. Com isso, retomamos uma maior estrutura [representada pelo retorno a linha central média] o quanto antes após resolver a situação em questão.

So when we do the “Gaang Sau [耕手]” of the third part of Siu Nim Tau. Our hand moves off the Mid center line to cover a lower spot [PHOTO]. As it is the third part, it seems to me that the sequence[form] at this point says that something urgent has happened and we need to go there, with “Gaang Sau [耕手]” being our best option. Not only for being able to cover this point, but for having unfolded from one “Taan Sau [攤手]” and unfolded into another “Taan Sau [攤手]”. Therefore, the “Gaang Sau [耕手]”, helps us to understand [among other possibilities] that in emergency situations, we may have to act with what we have, when it is necessary and without excuses. Thus, we will return to a better structure [represented by the return to the mid-center line] as soon as possible after solving the situation in question.

A questão para mim, é que nem tudo deveria ser uma “emergência”. Pois quando usamos o “Gaang Sau [耕手]”, ele atinge seu ponto máximo quando estamos já na altura de nossa coxa. Apesar disso, ele esteve de certo modo funcional durante o transito da Linha Central média até lá. Por outro lado, ao retornamos para o “Taan Sau [攤手]” , observaremos que existe uma transição delicada[FOTO] na qual o “Taan Sau [攤手]” ainda não está configurado e por conseguinte funcional. Desta maneira, não teríamos uma situação de “emergência”, mas eu diria de “urgência” para retomar a Linha Central média. 

The point for me is that not everything should be an “emergency”. Because when we use “Gaang Sau [耕手]”, it reaches its peak when we are already at the height of our thigh. Despite this, it was somewhat functional during transit from the Middle Center Line untill there. On the other hand, when we return to the “Taan Sau [攤手]” , we will observe that there is a delicate transition [PHOTO] in which the “Taan Sau [攤手]” is not yet configured and therefore functional. In this way, we would not have an “emergency” situation, but I would say of “urgency” to retake the middle center line.


(Si Fu segura o guarda-chuva para Si Gung enquanto caminhamos 
em direção ao restaurante onde vamos almoçar na Rua Nova Iorque em São Paulo).

(Si Fu holds the umbrella for Si Gung as we walk towards the restaurant 
where we will have lunch at New York Street in São Paulo).

Então ao elegermos uma pessoa para ser nosso Si Fu. Estamos dispostos a aumentar ou a diminuir os passos em função de acompanhá-la. Ao fazermos isso, saímos da nossa própria natureza, e nos conectamos não com o que “queremos” mas com o que “devemos”. E ao nos dedicarmos a isso, podemos apreciar melhor a perspectiva que o “Gaang Sau [耕手]” da terceira parte do Siu Nim Tau nos dá de que nem tudo na vida é uma “emergência”. 
Relaxando, podemos não nos deixar entrar em pânico e observar com mais clareza, a diferença de “emergência” para “urgência”. 
Tudo que você precisa fazer então, é caminhar mais com seu Si Fu e fazer mais Siu Nim Tau. Os resultados aparecem com o tempo.


So when we elect one person to be our Si Fu. We are willing to increase or decrease the steps in order to walk with him. In doing so, we get out of our own nature, and connect not with what we “want” but with what we “should”. And by dedicating ourselves to this, we can better appreciate the perspective that the “Gaang Sau [耕手]” of the third part of Siu Nim Tau gives us that not everything in life is an “emergency”.
By relaxing, we can stop ourselves from panicking and notice more clearly the difference between “emergency” and “urgency”.
All you need to do then is walk more with your Si Fu and do more Siu Nim Tau. Results show up over time.

The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@Gmail.com