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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

BIU JI: AN ESSAY ON FEAR.


 Foram necessários muitos anos e afastamentos de praticantes queridos por mim, para que eu entendesse algo muito simples: Não vai dar tudo certo! Durante a trajetória de um praticante, vai dar muita coisa errada. E eu me incluo nisso. Acontece que quando começamos, naquele primeiro momento que nos chamam a frente para poder “tecer algumas palavras”. Tudo parece tão perfeito, estamos tão motivados, que não consideramos os altos e baixos. Nossa visão linear impede que estejamos cientes que teremos muitos momentos desafiadores para continuarmos nessa trilha. E como a maioria das coisas que nos propomos a fazer, temos um certo otimismo inocente, com o qual acreditamos que tudo vai ser fácil. Portanto, quando o primeiro desafio se apresenta, nos desesperamos e desistimos. Outros como eu, tem mais sorte para que mesmo acreditando que vai dar tudo certo, ao perceber que algo não está indo bem, aprenderam aos trancos e barrancos a trabalharem para que desse certo mesmo assim. Ou em outros casos, recebi muitos empurrõezinhos do meu Mestre Julio Camacho[FOTO]. 

It took many years of practitioners dear to me who left, for me to understand something very simple: It's not going to be all right! During the trajectory of a practitioner, many things will go wrong. And I include myself in that. It turns out that when we started, at that first moment they called us to the front to be able to “weave some words”. Everything seems so perfect, we are so motivated, we don't consider the ups and downs. Our linear vision prevents us from being aware that we will have many challenging moments to continue on this path. And like most things we set out to do, we have a certain innocent optimism, with which we believe that everything will be easy. So when the first challenge presents itself, we despair and give up. Others, like me, are luckier so that even though they believe that everything will work out, when people like me realize that something is not going well, we learned by leaps and bounds to work to make it work anyway. Or in other cases, I received a lot of pushes from my Master Julio Camacho[PHOTO].
[“Que se dane, vamos fazer!” - Camisa que ganhei de
 presente do Si Fu.Ele fez uma para cada um de nós usar]

['Screw it. Lets do it. - Si Fu gave me this short as a gift.
And made one for him too]

Sobre o medo de fracassar, felizmente aprendi o 'Biu Ji' com meu Si Fu ao longo do ano de 2002. Durante aquelas práticas com o Si Suk Diego, que era o assistente do Si Fu naquelas ocasiões. O medo de ser golpeado, era muito atraente. E existia também um desafio de ir um pouco mais, mais forte, mais rápido... Sabendo que ele faria o mesmo. Eu sentia que o limite estava perto e com a sensação de perigo aumentando, isso era de fato, muito atraente. Por vezes, eu forçava, golpeava por fora da linha central... Nesses momentos, o medo de ser golpeado era tamanho, que eu escolhi 'roubar' a ser golpeado. Mas o desafio de controlar essa sensação no 'Biu Ji', de buscar dominar essa situação, é um privilégio que poucos tem. Poder viver essa experiência com meu Si Fu e Si Suk, foi especial.
E acredito muito na importância de se praticar o 'Biu Ji' entre irmãos Kung Fu, sempre próximo ao limite do Domínio e da relação. é uma coisa muito atraente, muito motivante... Basta apenas tentar manter a cabeça sempre fria para nunca ultrapassar os limites, porque aí você pode acabar se machucando, como eu me machucava...
E é um desafio muito recompensador você procurar dominar a sensação de medo, durante a prática do 'Biu Ji', onde toda a sua estrutura montada com muita dedicação não só é testada... Mas você também aprende a compensar a perda momentânea de um fator de monitoramento utilizando-se de outro... E com isso me refiro a : Timing, distancia, energia e posicionamento.

About the fear of failure, luckily I learned 'Biu Ji' with my Si Fu throughout the year 2002. During those practices with Si Suk Diego Guadelupe, who was Si Fu's assistant on those occasions. The fear of being hit was very appealing. And there was also a challenge to go a little harder, harder, faster… knowing he would do the same. I felt the edge was close and with the sense of danger increasing, that was indeed, very attractive. Sometimes, I forced, I hit outside the center line... In those moments, the fear of being hit was such that I chose to 'do illegal moves to not be hit by Si SUk Diego. But the challenge of controlling this feeling in 'Biu Ji', of seeking to dominate this situation, is a privilege that few have. Being able to live this experience with my Si Fu and Si Suk was special.
And I strongly believe in the importance of practicing 'Biu Ji' between Kung Fu brothers, always close to the limit of Domain and relationship. It's a very attractive thing, very motivating... Just try to keep your head always cool so you never cross the limits, because then you can end up hurting yourself, like I did...
And it is a very rewarding challenge to try to master the feeling of fear, during the practice of 'Biu Ji', where its entire structure assembled with great dedication is not only tested... You learn to compensate for the momentary loss of a factor of monitoring using another... And by that I mean: Timing, distance, energy and positioning.


Enquanto dirigia esta semana, colocava uma LIVE do meu Si Gung Leo Imamura[FOTO] sobre 'Medo' para tocar. Em determinado momento, ele diz que muitas pessoas acreditam que a pessoa corajosa, é aquela que não tem medo. Si Gung então apresentou uma visão de coragem que inclui o medo. Ele disse algo que me tocou profundamente: “Coragem, é eu fazer uma coisa, ainda que tenha medo”- Ele continua- “Porque eu venço o medo, transformando ele num sentimento alavancador”.
Veja: Quando o medo me tomava de tal forma, que eu golpeava o Si Suk Diego por fora da Linha Central sem legitimidade alguma. Eu abandonava todos os meus valores pessoais por ter deixado o medo me dominar. Então, a minha parte menos elaborada comemorava o golpe internamente, mas existia um lado meu que se incomodava ao voltar para casa pedalando minha bicicleta preta. 
Da mesma maneira, em sua LIVE, Si Gung faz outra pergunta que eu gostaria muito de ter escutado com dezenove anos de idade : “Então veja, o que é importante para você?”- Si Gung complementa - “Veja a quantidade de coisas que voce está trabalhando, se dedicando , investindo seu tempo... A coisas e pessoas que não são importantes para voce”. - Si Gung fala isso, no contexto de que muitas pessoas sucumbem ao medo de seguirem suas vocações em busca de estabilidade. Elas vivem uma vida que não queriam em busca de um conforto que talvez não necessitassem. Tudo por medo. 

While driving this week, I put a Youtube  LIVE of my Si Gung Leo Imamura[PHOTO] on 'Fear' to play. At one point, he says that many people believe that the brave person is the one who is not afraid. Si Gung then presented a vision of courage that includes fear. He said something that touched me deeply: “Courage, it's me doing something, even if I'm afraid”- He continues- “Because I overcome fear, turning it into a leveraging feeling”.
See: In the past When fear took me in such a way, that I hit Si Suk Diego outside the Center Line without any legitimacy. I abandoned all my personal values ​​because I let fear dominate me. So, the less elaborate part of me celebrated the blow internally, but there was a side of me that was bothered by coming home on my black bike.
In the same way, in his LIVE, Si Gung asks another question that I would very much like to have heard at the age of nineteen: “So see, what is important to you?”- Si Gung adds - “See the amount of things that you are working, dedicating yourself, investing your time... To things and people that are not important to you”. - Si Gung says this, in the context that many people succumb to the fear of following their vocations in search of stability. They live a life they didn't want in search of comfort they might not need. All out of fear.

Por muitas vezes, reclamei com Si Fu[FOTO], a respeito de seu excesso de confiança. Pode parecer loucura, mas achava que sua integridade inabalável, acaba causando em alguns irmãos Kung fu, a fantasia de que o Si Fu sempre conseguia resolver tudo no final. Então, cada vez que ele conseguia, isso se confirmava. O que eu deveria fazer? Torcer contra para entenderem que o Si Fu também era um ser humano?
Com muito custo, tomei algumas atitudes que todas as células do meu corpo diziam para eu não fazer. Nada irresponsável, mas eram decisões de carreira e de vida, que por alguma razão acreditava que o Si Fu seria capaz de empreende-las. Eu sozinho, talvez não conseguisse, mas trazendo a presença do Si Fu em minha mente nessas decisões, eu passava a ser capaz. 
Quando tudo parecia que iria dar errado ou dava, eu procurava o desespero dentro de mim. Outras vezes, tinha certeza que ele iria me assaltar quando menos esperasse... Porém, nada disso acontecia. Por mais adversa que a situação parecesse, eu parecia sempre saber onde estava a saída. Nesses momentos, ao invés de medo, sentia uma gratidão profunda pelo trabalho que Si Fu fez comigo. Lembre-se: Eu era capaz de 'golpear roubando' por medo de ser socado pelo Si Suk Diego, e agora lidava com situações muito mais complexas e não me descontrolava...

Many times, I complained to Si Fu[PHOTO] about his overconfidence. It may seem crazy, but I thought that his unshakable integrity, ends up causing some Kung fu brothers, the fantasy that Si Fu always managed to solve everything in the end. So each time he succeeded, it confirmed itself. What should I do? Cheering against him, so my brothers could understand that Si Fu was also a human being?
With great difficulty, I took some actions that every cell in my body told me not to do. Nothing irresponsible, but they were career and life decisions, which for some reason I believed that Si Fu would be able to make them. I alone, maybe I couldn't, but bringing Si Fu's presence in my mind in these decisions, I was able to.
When everything looked like it was going to go wrong or did, I searched for despair inside of me. Other times, I was sure it would assault me ​​when I least expected it... But none of that happened. As adverse as the situation seemed, I always seemed to know where the exit was. In those moments, instead of fear, I felt a deep gratitude for the work that Si Fu did with me. Remember: I was able to 'hit outside the center line' for fear of being punched by Si Suk Diego, and now I dealt with much more complex situations and didn't lose control...
Toda essa estranha confiança , faz parte de um DNA-KUNG FU trazido ao Brasil pelo Si Gung[FOTO], e herdado pelo meu Si Fu. Com o passar dos anos, passei a ter cada vez mais certeza que aquele que se dedica com afinco a relação Si Fu - To Dai e pratica com coração e sem preguiça. Terá resultados. Estes resultados, quase sempre não são o que gostaríamos. Mas eles chegam quando precisamos deles. E tudo o que conquistamos, fazemos isso administrando o medo que sentimos. Porque sabemos, que se um soco por fora da Linha Central é simbólico. Abrir mão de nossa palavra dada, de nossos compromissos assumidos, ou de qualquer outra coisa relacionada aos nossos valores pessoais por medo. Ou pelo medo de ter medo. Terá sim, um preço muito mais alto na vida real. 
Por isso, entender e valorizar praticas como a do 'Biu Ji', é ser ético com o medo que temos e que vamos ter.

All this strange confidence is part of a KUNG FU-DNA brought to Brazil by Si Gung [PHOTO], and inherited by my Si Fu. Over the years, I became more and more sure that the one who dedicates himself with dedication to the Si Fu - To Dai relationship and practices with heart and without laziness. You will get results. These results are almost always not what we would like. But they come when we need them. And everything we conquer, we do it by managing the fear we feel. Because we know, if a punch outside the Center Line is symbolic. Giving up our word given, our commitments made, or anything else related to our personal values out of fear. Or the fear of being afraid. It will have a much higher price in real life.
Therefore, understanding and valuing practices such as the 'Biu Ji' is to be ethical with the fear we have and will have.


The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira 'Moy Fat Lei'
moyfatlei.myvt@gmail.com