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domingo, 14 de agosto de 2022

TOKYO VICE REVIEW - LEARNING WITH A MENTOR.

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'...Situada no fim dos anos 1990, a série Tokyo Vice conta a história de Jake Adelstein (Ansel Elgort), um jornalista americano que se muda para Tokyo na esperança de integrar a equipe de um dos maiores jornais do país como repórter estrangeiro. Jake trabalha como professor de línguas e estuda tudo sobre a cultura e economia do Japão para se qualificar para o trabalho no jornal. Eventualmente, quando consegue uma vaga no diário, Jake fica responsável pelos casos policiais, o que normalmente não passa de bolsas roubadas e outros incidentes mundanos. Contudo, ao se aproximar do detetive Hiroto Katagiri (Ken Watanabe), um especialista no crime organizado, Jake começa a explorar o sombrio e perigoso mundo da Yakuza japonesa...' [Fonte- adorocinema.com].

A primeira vez que soube dessa série, foi através do Mestre Felipe Soares e de sua esposa Elisa. Na mesma semana, o Mestre Diego Guadelupe também me sugeriu que assistisse. Resolvi então dar uma chance para a produção e posso dizer que valeu a pena cada minuto investido. Com isso, essa série passou a ser uma de minhas preferidas nos últimos anos...


Em 1990, tivemos um filme pouco conhecido, mas muito especial chamado Iron & Silk... Um drama baseado no livro homônimo do escritor americano Mark Salzman, que interpreta a si mesmo na produção. Ele narra seu período vivendo na China como professor de ingles e suas dificuldades em lidar com seu Mestre de Kung Fu e sua professora particular de chinês. Seus desafios para entender uma etiqueta clássica por parte desses dois mentores, faz do filme algo muito especial. No Brasil, ele chama-se 'O regresso da águia'. 



Assim como em 'Iron and Silk'[1990], o ponto que mais me cativou na série 'Tokyo Vice', é a relação de mentor e aprendiz entre o jornalista Jake Adelstein (Ansel Elgort)e Hiroto Katagiri [Ken Watanabe]. 
Jake precisa entender melhor as nuances da cena policial japonesa, que varia entre a hiper-formalidade e os contornos que um policial experiente como o personagem de Watanabe encontra, para ser respeitado e conseguir avançar com suas investigações. 
Em um processo quase discipular, Jake é aceito como pupilo de Katagiri. Além de receber dicas de furos jornalísticos e de como abordar as matérias, ele também aprende muito sobre adequação e timing na convivência com o detetive.  E essa interação encanta o expectador.


[Jake e Katagiri em uma cena de crime]


Os personagens que compõem o núcleo de mafiosos na série também são muito bem representados, fazendo o expectador se perguntar o quanto estes personagens são fictícios e o quanto deles foram baseados nos gangsters que o personagem de Jake encontrou na vida real. De trejeitos a vocabulário, tudo nestes personagens é assustadoramente maravilhoso.

Para mim, a série é 10 de 10.

The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@Gmail.






 

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Welcoming Moy Fei Lap Kung Fu Family Leaders at home


 Recentemente pude receber o Mestre Felipe Soares e sua esposa Elisa Ferreira em minha residência numa tarde de Domingo[FOTO acima]. Eu estava um pouco ansioso e apreensivo, pois sou uma pessoa de poucas palavras e que não está muito habituado a receber ninguém nas casas em que morei. Pois devido a uma vida muito atarefada, e pelo fato de que em qualquer um de seus âmbitos atualmente, eu preciso fazer escolhas muito decisivas sempre pensando nos desdobramentos e sempre buscar uma conexão profunda com quem está ao redor. Quando posso, eu escolho ficar sozinho. Curtir a solitude faz parte da minha natureza, e qualquer interação mais animada que você me veja fazendo, é graças ao “Kung Fu”.  E enquanto pensava em como receber o meu Si Suk e sua esposa em minha residencia, reparei que tudo aquilo daria um excelente episódio de uma das minhas séries favoritas:“Seinfield”

Recently I was able to receive Master Felipe Soares and his wife Elisa Ferreira at my home on a Sunday afternoon [PHOTO above]. I was a little anxious and apprehensive, as I am a person of few words and not very used to receiving anyone in the houses where I lived. Because due to a very busy life, and the fact that in any of its spheres today, I need to make very decisive choices, always thinking about the unfolding and always looking for a deep connection with those around me. When I can, I choose to be alone. Enjoying solitude is in my nature, and any livelier interaction you see me doing is thanks to “Kung Fu”. And while I was thinking about how to receive my Si Suk and his wife at my residence, I noticed that all that would make an excellent episode of one of my favorite series: “Seinfield”
[A Si Taai Vanise Almeida, é Mestra em “Hospitalidade”, pela Universidade Anhembi Morumbi]
[Si Taai Vanise Almeida, has a Master's degree in “Hospitality”, from  Anhembi Morumbi University]

A Colíder do Grande Clã Moy Yat Sang, Sra Vanise Almeida[foto], participou de uma “Live” do Instituto Moy Yat falando sobre “hospitalidade” em eventos e cerimonias tradicionais. De fato, já havia escutado a Si Taai Vanise tocar nesse assunto ao longo dos anos, mas nunca entendi bem. Nessa “Live” pude organizar melhor meu entendimento para situações simples porém muito sérias da hospitalidade como: Como convidar alguém, onde a pessoa senta a mesa durante um evento, o código de vestimenta adequado, etc... E inspirado nesse estudo recente, grande parte desse trabalho de hospitalidade na visita do Si Suk e da Elisa, estaria relacionado também a uma ambiência subjetiva. 

The Co-leader of the Grand Moy Yat Sang Clan, Mrs. Vanise Almeida[photo], participated in a “Live” by the Moy Yat Institute talking about “hospitality” in traditional events and ceremonies. In fact, I had already heard Si Taai Vanise talking about this subject over the years, but I never really understood it. In this "Live" I was able to better organize my understanding of simple but very serious hospitality situations such as: How to invite someone, where the person sits at the table during an event, the appropriate dress code, etc... And inspired by this recent study, great part of this hospitality work in the visit of Si Suk and Elisa would also be related to a subjective ambience.

[Si Gung ao centro durante almoço com Si Suk e seu To Dai].

[Si Gung in the middle during lunch with Si Suk and his To Dai].


Pude retomar o contato com o Si Suk de maneira mais intensa durante a mais recente Visita Oficial do Si Gung a Família Kung Fu do Si Suk. Graças a um convite muito carinhoso de sua parte, pude apreciar sua companhia e do Si Gung desde o primeiro momento[foto]. Foi um final de semana de muito aprendizado, e principalmente de muita “hospitalidade”. Eu procuro ficar atento a como em eventos como esse da Família Moy Fei Lap, deixar claro a quem cuida de que estou consciente desse “zelo”.  Não quero simplesmente cair no lugar comum de apenas dizer “Opa! Obrigado!”. 

I was able to intensify contact with Si Suk in a more expressive way during the most recent Si Gung Official Visit to Si Suk's Kung Fu Family. Thanks to a very affectionate invitation from Si Suk Felipe, I was able to enjoy his company and Si Gung from the first moment [photo above]. It was a weekend of a lot of learning, and especially a lot of “hospitality”. I try to be aware of how, in events like this one of the Moy Fei Lap Family, I make it clear to the person that I am aware of his “zeal”. I don't want to just fall into the commonplace of just saying “Own! Thanks!".
[2007- Almoço com Si Suk Felipe e Si Suk Elisa, 
após um dia de demonstrações em uma Universidade].

[2007- Lunch with Si Suk Felipe and Si Suk Elisa,
after a day of demonstrations at a University].


Minhas memórias não permitem lembrar de nenhum momento que não tenha sido agradável na presença do Si Suk Felipe e da Elisa. E isso acabou por se fortalecer na segunda metade da década passada. Apesar de sermos muito diferentes, o Si Suk Felipe é uma pessoa muito coerente. 
Naquela tarde lá em casa, passamos por vários assuntos. ´Percebi que de maneiras diferentes, tivemos muitos desafios em comum, e que podemos respeitar ainda mais alguém tendo em vista o jeito com o qual ela lida com adversidades. 
Começamos a conversar no meio da tarde e fomos até o final do Domingo. A conversa não ficou apenas em assuntos referentes ao círculo marcial. Si Suk Elisa me sugeriu a série “Tokyo Vice”, que rapidamente se tornou uma de minhas favoritas. 
Ao me despedir deles, refleti que as vezes vale a pena abrir mão da própria companhia para estar com pessoas que vão agregar mais riqueza ao seu dia. E do poder que o “Kung Fu” nos dá de sermos adequados a circunstancia, independente de nossas limitações pessoais. Meu Si Fu diria: “Relaxe e seja gentil.

My memories do not allow me to remember any moment that was not pleasant in the presence of Si Suk Felipe and Elisa. And that turned out to be stronger in the second half of the last decade. Although we are very different, Si Suk Felipe is a very coherent person.
That afternoon at home, we went through a lot of subjects. 'I realized that in different ways, we had many challenges in common, and that we can respect someone even more given the way they handle adversity.
We started talking in the middle of the afternoon and went on until the end of Sunday. The conversation didn't just focus on martial circles matters. Si Suk Elisa suggested the HBO´s show “Tokyo Vice”, which quickly became one of my favorites.
As I said goodbye to them, I reflected that sometimes it's worth giving up your own company to be with people who will add more good memories to your life. And the power that “Kung Fu” gives us to adapt to circumstances, regardless of our personal limitations. My Si Fu would say: “Relax and be kind.


The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com


 

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Weekly Chi Sau 黐手 with my Si Hing

 

Seja lá o que você goste de fazer, cabe uma pergunta: “Por quanto tempo você tem se mantido apaixonado por essa coisa?” -  Comigo tem sido assim com o Sistema Ving Tsun pelos últimos 23 anos... E tem sido muito bom, compartilhar dessa paixão com meu Si Hing Leonardo Reis. Já são dois anos nos encontrando semanalmente para praticar. Antes éramos um grupo maior, mas por casualidades da vida, acabou que apenas eu consegui ficar nesse processo. Para mim, foi bem melhor, pois tenho sua atenção apenas para mim. Não somos novatos, e por conta disso, costumamos ter inúmeras discussões já que a visão do Si Hing é sempre voltada para uma abordagem mais prática e a minha é mais sistêmica. Quando isso não acontece, praticamos e discutimos observações e estudos dele e meus.
Recentemente, demos uma pausa nos estudos do “Baat Jaam Do”, para focarmos no “Chi Sau” ao longo de todo o Sistema. Nesse momento que escrevo, estamos tentando fazer funcionar o “Jaau Sau” no “Cham Kiu”. Devido a nossa vivencia, quando vemos já estamos extrapolando para outra natureza que não a do “Cham Kiu” e precisamos parar e recomeçar.

Whatever you like to do, the question remains: “How long have you been passionate about this thing?” - With me it has been like this with the Ving Tsun System for the last 23 years... And it has been very good, sharing this passion with my Si Hing Leonardo Reis. It's been two years now, meeting weekly to practice. Before we were a larger group, but by chance of life, it turned out that only I managed to stay in this process. For me, it was much better, because I have his  attention only for me. We are not rookies, and because of that, we usually have numerous discussions since Si Hing's vision is always focused on a more practical approach and mine is more systemic. When that doesn't happen, we practice and discuss his and mine observations and studies.
We recently took a break from studying the “Baat Jaam Do” to focus on “Chi Sau” throughout the System. As I write this, we are trying to make “Jaau Sau” work in “Cham Kiu”. Due to our experience, when we see it, we are already extrapolating to a nature other than that of “Cham Kiu” and we need to stop and start over.
Si Hing Leonardo tem uma distancia técnica considerável em relação a mim, por isso ele sempre termina as práticas com mais gás do que eu. Por outro lado, eu consigo perceber quando não tem mais nada a ser feito, e ficamos empacados num determinado ponto. - “Vamos tomar um café?” - Pergunto nessas horas.  
Isso ocorre, porque nos últimos anos, pratiquei mais com pessoas as quais eu era responsável pela transmissão do Sistema Ving Tsun. Em outras ocasiões, como durante algum evento com Famílias diferentes, muitas pessoas não conseguem mais praticar comigo, apena com o “Mestre Thiago” ou o “Si Hing”. 
Meu Si Hing Leonardo, tem me dado uma valiosa oportunidade de praticar de igual para igual. Longe de uma preocupação com títulos e por ser mais antigo, ele olha apenas para o Thiago. E por isso, algumas falas são bem bacanas, e possíveis apenas para quem está conectado no nível humano - “Não adianta apelar para velocidade e energia... São recursos para pessoas mais jovens, para mim você está quase fazendo em câmera lenta... Se você não for mais sutil, eu vou perceber sempre...”

Si Hing Leonardo has a considerable technical distance from me, so he always finishes practices with more energy than I do. On the other hand, I can tell when there's nothing more to be done, and we get stuck at a certain point. - "Shall we have a coffee?" - I ask at these times.
This is because in recent years, I've practiced more with people I was responsible for passing down the Ving Tsun System. On other occasions, such as during an event with different Families, many people can no longer practice with me, only with “Master Thiago” or “Si Hing”.
My Si Hing Leonardo, has given me a valuable opportunity to practice as an equal. Far from worrying about titles and being older brother, he only looks at Thiago and not the title. And because of that, some lines are pretty cool, and possible only for those who are connected on a human level - “It's no use appealing to speed and energy... These are resources for younger people, for me you're almost doing it in slow motion.. If you're not more subtle, I'll always notice...”
[Ao final dos nossos “cafés”, Si Hing me acompanha sempre até meu carro]
[At the end of our “coffees”, Si Hing always accompanies me to my car]

Quando percebo o Si Hing pegando leve, eu chamo sua atenção. Eu prefiro errar 100 vezes e voltar para casa sem conseguir, do que sentir que ele está “pegando leve”. Porém, talvez uma coisa dita nesse período todo, tenha me tocado com mais força do que todas as demais... 
Estávamos praticando e o Si Hing reclamando de algumas coisas que estava fazendo. Em determinado momento ele disse o seguinte: “Está faltando... Sabe, tá faltando obstinação..” - Eu parei, soltei o ar olhando pra longe, coloquei as mãos na cintura quase não acreditando e perguntei - “Tá faltando obstinação?Sério?” - Talvez eu não estivesse acreditando no que tivesse escutado. Ele respondeu que “sim”, e fez alguns comentários. 
De todas as palavras que o Si Hing poderia ter escolhido, “obstinação” desceu muito mal. Eu realmente me orgulho da minha obstinação em tudo o que faço, e ouvir que a mesma está faltando, não foi nada fácil...  Depois desse comentário, tudo por dentro ficou mexido, e eu passei a confundir “obstinação” com mais velocidade, mais energia, e claro: Maior tensão. Com isso, o que já estava difícil, passou a ficar mais ainda... 
Esse tipo de experiência é muito importante, ela nos mantém humildes, com os pés no chão e só aumenta nosso desejo de nos superar a cada dia. Ao menos no meu caso tem sido assim... 

When I notice Si Hing taking it easy, I call his attention. I'd rather fail 100 times and come home without making it, than feel like he's "taking it easy". However, maybe one thing said during this whole period, touched me more strongly than all the others...
We were practicing and Si Hing was complaining about some things I was doing. At one point he said the following: "I dont know...It's something missing... You know, there's a lack of obstinacy.." - I stopped, let my breath out looking away, put my hands on my hips almost not believing and asked - "Is obstinacy missing? Really?” - Maybe I wasn't believing what I'd heard. He replied “yes”, and made some comments.
Of all the words that Si Hing could have chosen, “obstinacy” went down very badly. I am really proud of my obstinacy in everything I do, and hearing that it is lacking was not easy at all... After that comment, everything inside was shaken, and I started to confuse “obstinacy” with more speed, more energy, and of course: Greater tension. With that, what was already difficult, became even more..
This kind of experience is very important, it keeps us humble, down to earth and only increases our desire to surpass ourselves every day. At least in my case it was like that...


The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com


 

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Chi Geuk 黐腳: A true search for balance.

 

[Meu Mestre Julio Camacho observa enquanto pratico com Gil Batista em 2006]
[My Master Julio Camacho, watches my practice with Gil Batista in 2006]

Eu vivo dentro das artes marciais desde os meus 15 anos de idade, e quando se vive por tanto tempo dentro de um meio, isso de certa forma nos faz ver o mundo de uma maneira diferente. Porém, Si Fu sempre insistiu que usássemos o Ving Tsun como uma ferramenta e não como um fim. Lembro-me de quando comecei a sair a noite com um grupo de amigos e minha namorada na época. Eu tinha meus vinte e poucos anos, mas quando entrávamos madrugada a dentro, eu começava a antecipar uma série de possibilidades de problema. - “É legal você estar atento, mas cuidado para não virar um chato.”-Comentaria Si Fu sobre esses constantes episódios que eu lhe contava. Geralmente meu primo diria:“Cara, relaxa!” - Me incomodava o fato do grupo apenas pensar na ida e não em como iríamos voltar. E eu estava muito imerso nesse mundo do círculo marcial chinês, no qual se entende que podemos saber a tendência do desfecho, ainda que não o desfecho de fato.
Imagine por um momento, que você e um adversário chutaram perfeitamente no mesmo momento um chute frontal, e que seus pés se encontraram no caminho, seguindo conectados até a aterrissagem... O “Chi Geuk”, é como se congelássemos esse momento[foto]. Porém, seguimos uma série de procedimentos com os pés aderidos, para que possamos casar com o processo em si, e gerar ações que vão coincidir com as tendências que essa aderência gera. Esse contato com o outro, gera uma pressão que chega até nosso pé de apoio. Com os braços cruzados ou para trás. Colocamos todas as possibilidades de manter o equilíbrio, em micro movimentos realizados pelo pé de apoio e o encaixe do quadril com a base...  Porém, quando nos sobressaímos ao final de uma rodada, esse efeito nasceu despercebido em algum momento...

I've lived within the martial arts since I was 15 years old, and when you've lived for so long inside some social circle, it somehow makes you see the world in a different way. However, Si Fu always insisted that we use Ving Tsun as a tool and not as an end. I remember when I started going out with a group of friends and my girlfriend at the time. I was in my mid-twenties, but as we got into the deep hours of the night in the dangerous streets of our city, I started anticipating a series of possible troubles. - “It's nice for you to be attentive, but be careful not to become a bore. person”- Si Fu would comment on these constant episodes that I used to tell him. Usually my cousin would say, “Dude, relax!” - It bothered me that the group only thought about going and not about how we were going to get back home. And I was very immersed in this world of the Chinese martial circle, in which it is understood that we can know the trend of the outcome, even if not the actual outcome.
Imagine for a moment, that you and an opponent kick perfectly at the same moment a front kick, and that your feet meet on the way, following connected until the landing... The “Chi Geuk”, is as if we freeze this moment [photo] ]. However, we follow a series of procedures with the feet adhered, so that we can match the process itself, and generate actions that will coincide with the trends that this adherence generates. This contact with the other generates a pressure that reaches our support foot. With arms crossed or behind. We put all the possibilities of maintaining balance, in micro movements carried out by the support foot and the fitting of the hip with the base... However, when we excel at the end of a round, this effect was born unnoticed at some point...

Eu havia começado a prática do “Chi Geuk” ainda em 2001 com 16 anos de idade, porém mesmo tanto tempo  depois, ainda não sabia do que se tratava. O “Chi Geuk” havia se tornado uma prática comum para mim, e eu estava dessensibilizado para seus potenciais. Por isso, eu seguia uma vida  de desequilíbrio em termos de precaução e de imersão no círculo marcial. - “...Me parece que qualquer tipo de extremo, traz uma nota de desequilíbrio...” -Disse-me Si Fu. 
Quando tomei consciencia do desequilíbrio em que vivia, havia sofrido muitas perdas... Quando consegui me reorganizar, já era Janeiro de 2019... E eu pude poucos meses depois, começar a sair a noite. Por dentro, eu pensava que poderia estar produzindo ou descansando para produzir mais no dia seguinte, mas eu tomei aquilo como um “treino especial”: “Treino de hoje: Sair e dançar!” - Mantive-me focado nesse projeto por dois anos... Sempre pensando que deveria evitar os extremos para encontrar equilíbrio. Em determinado momento, passei a curtir e mesmo não podendo reaver os erros que cometi comigo, com pessoas e com minhas oportunidades... Me mantive honesto na busca por equilíbrio. E sigo nessa busca de me tornar também um Mestre , na capacidade de me beneficiar de qualquer situação. Eu havia aprendido a enxergar o “fácil” onde pessoas enxergam o “difícil”. Mas agora era hora de enxergar o “fácil” onde as coisas são fáceis. E entender que as vezes só precisamos ser normais para atingir o equilíbrio.

I had started the practice of “Chi Geuk” in 2001 at the age of 16, but even so long later, I still didn't know what it was about. “Chi Geuk” had become a common practice for me, and I was desensitized to its potentials. Therefore, I followed a life of unbalance in terms of caution and immersion in the martial circles. - "... It seems to me that any kind of extreme brings a note of unbalance..." - Si Fu told me.
When I became aware of the unbalance in which I lived, I had suffered many losses... When I managed to reorganize myself, it was already January 2019... And a few months later I was able to start going out at night. Inside, I thought I could be producing or resting to produce more the next day, but I took it as a “special training”: “Today's training: Go out and dance!” - I stayed focused on this project for two years... Always thinking that I should avoid extremes to find balance. At a certain point, I started to enjoy it and even though I couldn't recover the mistakes I made with myself, with people and with my opportunities... I remained honest in the search for balance. And I continue in this quest to become a also a Master, in the ability to benefit from any situation. I had learned to see the “easy” where people see the “difficult”. But now it was time to see the “easy” where things are easy. And understand that sometimes we just need to be normal to achieve balance.

The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com


 

domingo, 7 de agosto de 2022

Biu Ji:An essay on the strange art of moving on.

Eu sempre fui uma pessoa com muitos planos para realizar... De vez em quando eu volto a ser essa pessoa. Percebi ao longo dos anos, que principalmente quando estamos em momentos difíceis e os sentimentos e sensações se amplificam. Temos uma tendência a tentar nos cobrir com camadas que já não nos servem mais. E isso incluiu, lamentar planos que não foram realizados ou que ainda não se realizaram.
O  “Biu Ji” é o nome que damos ao terceiro Domínio do Sistema Ving Tsun. Dentre tantas possibilidades, tomamos esse nome por “Bússola Padrão”. Sendo assim, não importa como você sacuda uma bússola ou jogue ela de um lado para outro, ela sempre vai apontar precisamente na direção que foi projetada para apontar. Porém, por conta dos sacolejos da vida serem sempre inéditos, deixamos de seguir a direção que nossos corações apontam e acabamos nos perdendo. 
Quando tive acesso ao “Biu Ji”, não tinha condições de valorizar esta ferramenta que me havia sido entregue. E mesmo cinco anos depois, quando realizei a Cerimonia para receber a certificação internacional do “Biu Ji”[foto acima], ainda não fazia ideia do que ele poderia me prover um dia. Eu sentia muito os golpes que a vida me dava, por não entender que o conflito faz parte da vida. 

I've always been a person with a lot of plans to accomplish... Every now and then I go back to being that person. I realized over the years, that especially when we are in difficult times and our feelings and sensations are amplified. We have a tendency to try to cover ourselves with layers that no longer serve us. And that included regretting plans that weren't realized or that haven't yet been realized.
“Biu Ji” is the name we give to the third Domain of the Ving Tsun System. Among so many possibilities, we took this name as “Standard Compass”. So no matter how you shake a compass or throw it from side to side, it will always point precisely in the direction it was designed to point. However, because the jolts of life are always unheard of, we fail to follow the direction our hearts point and end up getting lost.
When I had access to “Biu Ji”, I was not able to value this tool that had been given to me. And even five years later, when I performed the Ceremony to receive the international certification of “Biu Ji” [photo above], I still had no idea what it could provide me one day. I really felt the blows that life gave me, for not understanding that conflict is part of life.

Devido a minha natureza, eu sempre consegui executar o “Biu Ji” com a vivacidade necessária para cada ocasião, desde meus 17 anos de idade[Na foto eu tinha 22 anos]. Porém, eu não parava para pensar com mais cuidado, nos movimentos em sequencia que nos ajudam a perceber cada caso que ali está. E que ao entendermos como vamos de caso a caso, podemos inclusive nos permitir apreciar as mudanças e não ficarmos presos a uma fase da vida ou a um episódio qualquer. Assim como no Sistema Ving Tsun. 
O “Biu Ji” tem o potencial de promover constantes variações de diferentes fatores quando o executamos com afinco. Acontece que as vezes, a vida promove tantas mudanças que não desejamos, que esquecemos que a sua própria essência deveria ser a mudança constante. Assim como o “Biu Ji”.
Com os anos e seus acontecimentos, percebi que a vida que vivemos não é um direito nosso. Talvez ela venha a se tratar mais de um “privilégio”, e por isso deveríamos aceitar o que a vida está nos dando. Com todas as suas mudanças indesejadas.

Due to my nature, I have always managed to perform the “Biu Ji” with the necessary vivacity for each occasion, since I was 17 years old [In the photo I was 22 years old]. However, I didn't stop to think more carefully about the sequential movements that help us to understand each case that is there. And that when we understand how we go from case to case, we can even allow ourselves to appreciate the changes and not get stuck in a phase of life or any episode. Just like in the Ving Tsun System.
The “Biu Ji” has the potential to promote constant variations of different factors when we execute it with heart. It happens that sometimes, life promotes so many changes that we don't want, that we forget that its very essence should be constant change. Just like “Biu Ji”.
With the years and their events, I realized that the life we ​​live is not our right. Perhaps it will turn out to be more of a “privilege”, and that is why we should accept what life is giving us. With all its unwanted changes.
[Meu Mestre Julio Camacho, demonstra o Biu Ji em Shunde, terra natal de Chan Wa Sun]
[My Master Julio Camacho, doing the Biu Ji in Shun De. Homeland of Chan Wa Sun]

Uma vez caminhava com meu Si Fu em um aeroporto do Rio, e ele me perguntou como estava o meu projeto de me mudar para outro país. Eu disse que não sabia ainda como poderia faze-lo. Ele disse: “Como assim? Compra uma passagem, e vai!”- Ele sorriu me olhando enquanto caminhávamos, eu fiquei desconcertado e olhei para baixo. Nos dirigíamos a uma área para aguardarmos a chegada do Si Gung, depois de identificarmos o portão certo. Si Fu então continuou: “Não é você que gosta de ficar citando aquela frase de que 'O tigre nunca pega o coelho porque o coelho corre pela vida, e o tigre pelo almoço'?” - Perguntou ele. Eu sorri sem graça e respondi que sim. Ele prosseguiu: “Quando você se coloca para a coisa acontecer...E claro que você não vai comprar a passagem e simplesmente pegar o avião... Mas você entende que numa situação como essa, você não tem outra escolha a não ser dar certo?”. - Precisei concordar com Si Fu imediatamente. 
Então, hoje eu acredito que quando alguém fica por muitos anos numa Família Kung Fu, fazendo o “Biu Ji”, vendo outras pessoas fazerem, ajudando pessoas a entenderem, pensando sobre o “Biu Ji”, ouvindo falar dele etc., etc...  É impossível que esta pessoa em seu pior momento, não encontre condições de reencontrar a direção que seu coração aponta e seguir em frente. E mesmo eu que em alguns momentos penso: “Dessa vez não vai dar”. Ao invés de lidar com essa mentira que disse para mim mesmo, prefiro observar quais recursos estão a minha disposição, e retomar a Linha Central. Porque agindo assim, não existe outra possibilidade, que não seja continuar no jogo. Continuar na luta para mais um round. Para quem vive o “Biu Ji”, é impossível desistir. 

I once walked with my Si Fu at an airport in Rio, and he asked me how my project of moving to another country was going. I said I still didn't know how I could do it. He said, “How so? Buy a ticket, and go!”- He smiled looking at me as we walked, I was disconcerted and looked down. We were heading to an area to await the arrival of Si Gung, after identifying the right gate. Si Fu then continued: "Aren't you the one who likes to keep quoting that phrase that 'The tiger never catches the rabbit because the rabbit runs for life, and the tiger for lunch'?" - He asked. I smiled awkwardly and replied yes. He continued: “When you set yourself up for the thing to happen...Of course you're not going to buy the ticket and just get on the plane... But you understand that in a situation like this, you have no choice but accomplish what you want?". - I had to agree with Si Fu immediately.
So, today I believe that when someone stays for many years in a Kung Fu Family, doing “Biu Ji”, watching other people do it, helping people to understand it, thinking about “Biu Ji”, hearing about it etc., etc. .. It is impossible that this person, at his worst moment, does not find conditions to find the direction his heart points and move on. And even I sometimes think: “This time it won't work”. Instead of dealing with this lie I told myself, I prefer to observe what resources are at my disposal, and go back to the Center Line asap. Because acting like this, there is no other possibility, other than to continue in the game. Continue in the fight for one more round. For those who know “Biu Ji”, it is impossible to give up.

The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com