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segunda-feira, 31 de outubro de 2022

“THE LAST SAMURAI”: An essay on Kung Fu Perspective part 1

 

Em “O último samurai”[Last Samurai, 2003], vemos uma cena muito marcante sobre liderança. O Sr Omura [Masato Harada] , contrata o Coronel Bagley [ Tony Goldwyin] e o Capitão Nathan Algreen [Tom Cruise], para dar fim a um levante por parte de um grupo de samurais liderados por Katsumoto [Ken Watanabe]. Em determinado momento do primeiro arco, Omura insiste que é hora de confrontar os samurais de Katsumoto, devido a um ataque que o mesmo realizou a uma linha férrea. O Coronel Bagley imediatamente ordena que Nathan Algreen[Tom Cruise] prepare as tropas para o combate. O personagem de Tom Cruise afirma que eles ainda não estão prontos, que será um desastre. Afinal, aqueles soldados não estavam habituados a combates usando armas de fogo, e temiam os samurais. 
Não tendo sucesso em sua argumentação, o personagem de Tom Cruise entra na linha de tiro de um dos personagens que está aprendendo a disparar, e pede que ele o acerte. Não obtendo o que queria, Tom Cruise aponta sua própria arma para o inexperiente soldado[foto] que trava diante do destemido Capitão. 

In “The Last Samurai” [ 2003] movie, we see a very striking scene about leadership. Mr Omura [Masato Harada] hires Colonel Bagley [Tony Goldwyin] and Captain Nathan Algreen [Tom Cruise] to put down an uprising by a group of samurai led by Katsumoto [Ken Watanabe]. At one point in the first arc, Omura insists that it's time to confront Katsumoto's samurai, due to an attack he carried out on a railway line. Colonel Bagley immediately orders Nathan Algreen [Tom Cruise] to prepare the troops for combat. Tom Cruise's character claims they're not ready yet, which will be a disaster. After all, those soldiers were not used to fighting using firearms, and they feared the samurai.
Unsuccessful in his argument, Tom Cruise's character enters the firing line of one of the characters who is learning to shoot, and asks him to shoot him. Not getting what he wanted, Tom Cruise points his own gun at the inexperienced soldier [photo] whofreezes in front of the fearless Captain.

Devido a traumas sofridos em conflitos passados ainda nos EUA, o personagem de Tom Cruise possui uma forte pulsão de morte. Não é a toa que podemos ouvi-lo dizer bem baixo - “Atire em mim, seu desgraçado.”[FOTO] - Apesar de seu desejo de morrer e de acabar com o sofrimento, Nathan Algreen[Tom Cruise] era a única liderança que não estava sendo movida por “paixões”. O desejo cego de Omura de acabar com os samurais e a ganancia do Coronel Bagley em obter os dividendos com a entrega do trabalho feito, não os permitiam enxergar que o cenário estava desfavorável. Pois segundo ouvi do Grão-Mestre Leo Imamura recentemente, muitas vezes o estrategista só enxerga o que quer ver. 

Due to traumas suffered in past conflicts in the US, Tom Cruise's character has a strong death drive. No wonder we can hear him say very quietly - "Shoot me, you bastard." [PHOTO] - Despite his desire to die and end suffering, Nathan Algreen [Tom Cruise] was the only leader who was not being moved by “passions”. Omura's blind desire to smash the samurai and Colonel Bagley's greed to obtain the dividends with the delivery of the work done, did not allow them to see that the scenario was unfavorable. Because as I heard from Grand Master Leo Imamura recently, many times the strategist only sees what he wants to see.
[Si Fu realiza o Siu Nim Tau, primeira sequencia do Sistema Ving Tsun, 
na antiga sede mundial da Moy Yat Ving Tsun]

[Si Fu performs the Siu Nim Tau, first sequence of the Ving Tsun System, in the former world headquarters of Moy Yat Ving Tsun]

Ainda em 2011 durante visita ao Núcleo Méier, Si Fu[foto] teria falado sobre “Siu Nim Tau” enquanto “Diminuir o desejo”.  Para mim, foi bem emblemático aquela fala dele, pois lembrei-me do filme “Warriors Two” [1978]. No filme, Sammo Hung interpreta “Fung Wa” o Gaai Siu Yan[apresentador formal] e irmão Kung Fu de Chan Wa Sun[interpretado por Casanova Wong]. Quando finalmente, Chan Wa Sun [Casanova Wong] é aceito na Família Kung Fu de Leung Jaan, ele pergunta ao personagem de Sammo Hung, porque o nome da primeira sequencia é “Siu Nim Tau”, e Fung Wah[Sammo Hung] lhe diz - “Porque primeiro voce precisa diminuir a ambição”.
A estranheza com que o personagem aborda o nome “Siu Nim Tau” no filme, não parece ser por acaso, já que apesar de na trilogia fundamental do Sistema usarmos o que nos é mais essencial que são nossas mãos e pés, os nomes dos primeiros Domínios do Sistema, a começar pelo Siu Nim Tau, não parecem em nada com nomes relacionados a prática marcial. Por isso, um estrategista dominado pela “vontade”, ficará cego para o cenário.

Still in 2011, during a visit to the MYVT Méier School, Si Fu[photo above] would have talked about “Siu Nim Tau” as “Decrease desire”. For me, that speech of his was very emblematic, because I remembered the movie “Warriors Two” [1978]. In the film, Sammo Hung plays “Fung Wa” the Gaai Siu Yan [formal presenter] and Chan Wa Sun's Kung Fu brother [played by Casanova Wong]. When finally Chan Wa Sun [Casanova Wong] is accepted into Leung Jaan's Kung Fu Family, he asks Sammo Hung's character why the name of the first form is "Siu Nim Tau", and Fung Wah [Sammo Hung] tells him - “Because first you need to decrease ambition”.
The strangeness with which the character addresses the name “Siu Nim Tau” in the film does not seem to be by chance, since although in the fundamental trilogy of the System we use what is most essential to us, which are our hands and feet, the names of the first System Domains, starting with Siu Nim Tau, do not look anything like names related to martial practice. Therefore, a strategist dominated by "desire" will be blind to the scenario.

No final do filme, os samurais são dizimados por Omura[FOTO] e o Coronel Bagley. Porém fica a pergunta: Será mesmo que eles venceram?
Esse artigo, foi inspirado em algo que Si Gung transcreveu recentemente em nosso grupo de estudos que quero compartilhar aqui com a Comunidade Marcial : "É chamado de acúmulo de desastres alcançar um sucesso após o outro ao persistir na Conduta Masculina. Na realidade, esses sucessos são maus presságios e fontes de ansiedade, ao ocorrerem repetidamente, a morte não estará longe. Pelo contrário, é chamado de acúmulo de mérito sofrer perdas por persistir na Conduta Feminina. Seja cauteloso e não desista, neste caso, grandes ganhos serão garantidos no futuro." (Huangdi Sijing Jinzhu Jinyi).

At the end of the movie, the samurai are decimated by Omura[PHOTO] and Colonel Bagley. But the question remains: Did they really win?
This article was inspired by something that Si Gung Leo Imamura recently transcribed in our study group that I want to share here with the Martial Community: "It is called the accumulation of disasters to achieve one success after another by persisting in Masculine Conduct. In reality, these successes are bad omens and sources of anxiety, when they occur repeatedly, death will not be far away. On the contrary, it is called accumulation of merit to suffer losses for persisting in Female Conduct. Be cautious and do not give up, in this case, great gains will be guaranteed in the future ." (Huangdi Sijing Jinzhu Jinyi).



A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com


 


 




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sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Remote mettings with GM Leo Imamura

[Encontros semanais remotos com Si Gung para tratar do Programa VT Experience]
[Remote weekly meetings with Si Gung to deal with the VT Experience Program]

O ano de 2020 foi também um ano bem desafiador, afinal precisei me despedir de um dos discípulos mais dedicados e queridos, por conta do COVID-19. E apesar dessa perda irreparável, foi um ano de muito crescimento, amadurecimento, mas principalmente de consolidação em minha Família Kung Fu.
Foi muito especial observar como minha Família Kung Fu se uniu para que o trabalho se mantivesse em meio aquele ano de tantas mudanças aparentes e abruptas. Novas lideranças surgiram, e enquanto muitas pessoas pelo planeta devolviam os imóveis locados, transformamos o nosso Mo Gun em uma central de transmissão de LIVES. Nem mesmo foi necessário renegociar o aluguel, a Família trabalhou unida de tal forma, que seguimos como se nada estivesse acontecendo no mundo. 
Dois de meus discípulos, sugeriram com muita firmeza, que eu cessasse as atividades por conta do COVID-19, duas semanas antes de ser uma coisa decretada em nossa cidade. Eu resolvi ouvi-los. Isso me deu tempo de antecipadamente preparar aulas por duas semanas, e começar a promover encontros remotos antes do que quase todo mundo. Quando essa realidade se tornou uma necessidade, nós já estávamos sintonizados com o novo momento. 
Uma discípula minha estava morando no Mo Gun, no segundo andar. Eu resolvi acampar na recepção enquanto durasse tudo aquilo, para me obrigar a produzir mais. Minha maior diversão, era assistir os DVD´s do seriado 'Sopranos'[que um discípulo me presenteou], enquanto tomava açaí com confete M&M's, no final da noite. 
No final daquele primeiro mês, meus irmãos Kung Fu começaram a produzir aulas de maneira remota, com isso meu grupo tinha agora não só as minhas aulas como as deles também, fazendo uma agenda completa de manhã, tarde e noite. 
A partir do segundo mês, alguns dos discípulos formaram um grupo para antecipação de situações e produção de novos materiais e LIVES. Com isso, todos se sintonizaram com o que estava acontecendo, o material de divulgação ficava cada vez melhor. E eu me mantinha ativo em alta intensidade, para que a inexperiência dos discípulos que se propunham a conduzir uma LIVE, não desmotivasse os alunos iniciantes, caso não fosse adequada. E isso gerou um bom equilíbrio. 
Eu ficava muito atento as possibilidades de reabertura parcial ou total, e aos poucos, alguns alunos voltaram a frequentar o Mo Gun. 
Com isso, ao ser perguntado um ano depois por um grupo de profissionais de outras artes marciais, como conseguimos esse nível de engajamento e a coragem para investir quando todo mundo está fechando, eu atribuí ao fato de termos instrumentos que permitem o acesso ao Kung Fu em um sentido amplo, num momento em que o contato físico era desaconselhado. 


 The year 2020 was also a very challenging year, after all, I had to say goodbye to one of the most dedicated and dear disciples, because of COVID-19. And despite this irreparable loss, it was a year of great growth, maturation, but mainly consolidation in my Kung Fu Family.
It was very special to observe how my Kung Fu Family came together so that the work could continue in the midst of that year of so many apparent and abrupt changes. New leaders emerged, and while many people around the planet returned their leased properties, we turned our Mo Gun into a boradcast transmission center. We didn't even have to renegotiate the rent, the Family worked together in such a way that we went on as if nothing was happening in the world.
Two of my disciples very firmly suggested that I cease activities on account of COVID-19, two weeks before it was decreed in our city. And I decided to listen to them. This gave me time to prepare classes for two weeks, and to start promoting remote encounters earlier than almost everyone else. When this reality became a necessity, we were already attuned to the new moment.
One of my disciples was living in the Mo Gun on the second floor. I decided to camp at the Mo Gun reception room while all that lasted, to force myself to produce more. My biggest entertainment was watching the DVD's of the series 'Sopranos' that a disciple gave me, while drinking açaí with M&M's confetti in the end of the night.
At the end of that first month, my Kung Fu brothers started to produce classes remotely, so my group now had not only my classes but theirs as well, making a complete schedule in the morning, afternoon and night.
From the second month onwards, some of the disciples formed a group to anticipate situations and produce new materials and LIVES. With that, everyone tuned in to what was happening, the publicity material got better and better. And I kept myself active at high intensity, so that the inexperience of the disciples who proposed to conduct a LIVE, would not discourage beginner students, if it was not adequate. And that created a good balance.
I was very attentive to the possibilities of partial or total reopening, and little by little, some students returned to attend the Mo Gun.
With that, when asked a year later by a group of professionals from other martial arts, how do we get this level of engagement and the courage to invest when everyone is closing, I attributed it to the fact that we have instruments that allow access to Kung Fu in a broad sense, at a time when physical contact was inadvisable.

[Uma vez por semana, assistindo aos encontros remotos e fazendo anotações]
[Once a week, watching remote meetings and taking notes]

No ano de 2022, tenho me dedicado a estudar mais. Não importa que não tenhamos mais uma pandemia, mas eu vi a importância de estar preparado, e ter algo a mais para oferecer, que justifique o investimento de tempo, energia da pessoa, e seu desejo legítimo de conhecer o Kung Fu Ving Tsun.
Com isso, basicamente por todo o ano de 2022, tenho entrado ON LINE uma vez por semana com Si Gung e outros Mestres do Brasil e do exterior para trocar conhecimentos a respeito de como aprofundar nossa capacidade de entender como transmitir e preservar o Sistema Ving Tsun encontrando abordagens, palavras e estruturas de raciocínio que nos permitam conectar melhor com quem chega e com quem já está. Além disso, com nosso grupo , trocamos entendimentos e compartilhamos dúvidas ao longo de toda a semana. Tem sido um processo bem rico. Tem pessoas ali que conheço minha vida toda, e nunca conversei por mais de dez minutos, outras são o oposto disso, e esse equilíbrio, traz uma neutralidade nas relações que nos ajudam a entender para que aquele grupo serve, e não perdemos tempo com nada que não seja em função do aprimoramento. 

In the year 2022, I have dedicated myself to studying more. It doesn't matter that we don't have a pandemic anymore, but I saw the importance of being prepared, and having something more to offer, that justifies the investment of time and energy of the person, and his legitimate desire to know Kung Fu Ving Tsun.
With that, basically for the whole year of 2022, I have been going ONLINE once a week with Si Gung Leo Imamura and other Masters from Brazil and abroad to exchange knowledge about how to deepen our ability to understand how to transmit and preserve the Ving Tsun System finding approaches, words and reasoning structures that allow us to better connect with those who arrive and with those who are already there. In addition, with our group, we exchanged understandings and shared doubts throughout the week. It has been a very rich process. There are people there that I've known my whole life, and I've never talked for more than ten minutes, others are the opposite of that, and this balance brings a neutrality in relationships that help us understand what that group is for, and we don't waste time on anything that is not due to improvement.




Na noite de ontem , Si Gung falou sobre o quão feliz estava em poder viver aquele momento conosco. Segundo ele, esse era um cenário que havia visualizado por toda a sua carreira, e que muitos disseram que era impossível. 
Porém, o que mais me chama a atenção nesse processo todo desde o início do ano, é o sentimento de acolhimento. Ouvi minha Si Taai Vanise Almeida falar de hospitalidade pela primeira vez, talvez em 2012 durante uma Visita Oficial promovida pelo Núcleo Copacabana. Na época, não era o meu momento para fazer uso desse conceito. Esse ano, comecei a falar mais disso. Acho que tem sido um processo bem especial, porque nesse grupo com tantas pessoas de diferentes saberes, a impressão que dá é que o seu conhecimento importa. Por mais pueril ou basal que algo que eu pense em perguntar ou compartilhar pudesse aparentar para mim em um primeiro momento. Me sinto motivado a contribuir.
E por serem encontros entre diferentes famílias, gerações e momentos e como ficarão gravados para a posteridade. Nesses encontros eu sou o “Mestre Pereira” - “Parece que o Mestre Pereira está com a mão levantada e quer contribuir. Boa noite Mestre Pereira, você quer falar, fica a vontade!” - Essa é uma fala corriqueira do Si Gung Leo Imamura. Eu as vezes escuto esse “Mestre Pereira”, e penso: “Poxa vida... Meus heróis de infância tinham uns nomes tão legais: Joe Armstrong [American Ninja], Frank Dux [Bloodsport], Tommy Lee [Best of The Best], Jake Donahue[King of Kickboxers] e eu sou o 'Mestre Pereira'...” -  Porém, apesar de uma aparente formalidade quando sou chamado de “Mestre Pereira”, algumas coisas mais sérias passam pela minha cabeça: Uma delas, é que independente da diferença de gerações, nesses ambientes existe esse título que compartilho com outros, e que necessita trabalho duro para alcançar.  Porém, mais do que a dedicação, lembro do voto de confiança que é dado, quando esse título é obtido. O voto de confiança, de que o “Mestre”, seja ele o “Mestre Pereira” ou algum outro com um nome mais radical, vai se dedicar para continuar estudando e se aprimorando continuamente... E esse é um desafio bem legal. 

Last night, Si Gung talked about how happy he was to be able to live that moment with us. According to him, this was a scenario he had visualized his entire career, and which many said was impossible.
However, what most calls my attention in this whole process since the beginning of the year, is the feeling of acceptance. I heard my Si Taai Vanise Almeida talk about hospitality for the first time, perhaps in 2012 during an Official Visit promoted by the Copacabana School. At the time, it was not my time to make use of this concept. This year, I started talking about it more. I think it has been a very special process, because in this group with so many people from different backgrounds, the impression it gives is that your knowledge matters. As childish or basic as something I think about asking or sharing might seem to me at first. I feel motivated to contribute.
And because those are meetings between different families, generations and moments and how they will be recorded for posterity. In these meetings People calls me “Master Pereira” - “It seems that Master Pereira has his hand up and wants to contribute. Good evening Master Pereira, if you want to talk, feel free!” - This is a common speech of Si Gung Leo Imamura. I sometimes listen to this “Master Pereira”, and I think: “Oh man... My childhood heroes had such cool names: Joe Armstrong [American Ninja], Frank Dux [Bloodsport], Tommy Lee [Best of The Best ], Jake Donahue [King of Kickboxers] and I am 'Master Pereira'...” - However, despite an apparent formality when I am called “Master Pereira”, some more serious things cross my mind: One of them, is that regardless of the generation gap, in these environments there is this title that I share with others, and that needs hard work to achieve. However, more than the dedication, I remember the vote of confidence that is given when this title is obtained. The vote of confidence, that the “master”, be he “Master Pereira”, or someone with a more radical name... Will dedicate himself to continue studying and improving himself continuously... And this is a very special challenge.

A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com


 


 
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terça-feira, 25 de outubro de 2022

23 unbroken years in the Kung Fu Family

 

[Da esq. p/ dir. - Meu Si Fu, meu Si Gung e eu].
[From left to right - My Si Fu, my Si Gung and I].

Se um compromisso foi marcado em determinado horário, eu chego pelo menos meia hora antes no Mo Gun para organizar tudo, antes que o compromisso se inicie. Desde uma rápida limpeza necessária, até mesmo desconectar do compromisso anterior e sintonizar com o seguinte, são coisas que faço nesse tempo. Porém, as vezes eu chego no Mo Gun e mesmo tendo marcado com alguns To Dai, alguns acabam chegando já na hora da atividade. Então muitas vezes na frente do praticante que está começando, me vejo obrigado a dar as orientações do que será trabalhado para o To Dai que acabara de chegar. O que talvez esse To Dai não perceba, é que esse tipo de atitude, vai enfraquecer sua própria liderança com relação a essa pessoa. Pois, mesmo já estando mais amadurecido e preparado, qual a “assinatura” que ele deixou previamente nessa relação? 
Em momentos assim, penso não estar fazendo um bom trabalho como Si Fu. Lembro das vezes em que meu Si Fu falou sobre precisão relacionado ao horário de chegada comigo ao longo dos anos. E fico refletindo, se conseguirei fazer o mesmo trabalho com a geração seguinte. 
O dia 05 de cada mês, chega sempre misteriosamente rápido demais, e é o momento novamente de pagar o aluguel. Tem três meses que pago com PIX, mas antes disso eu costumava pegar uma folha de cheque, meu walkman e ir andando todo o caminho até a imobiliária do outro lado do Méier. Com isso, me era possível passar por alguns pontos marco no bairro, para minha carreira. Muitas memórias a respeito de momentos de vida e de pessoas, me vem a mente nessas caminhadas. Porém, vem muitas lembranças da vontade de vencer que era muito presente no início. E quando chego a imobiliária, mesmo num dia ruim ou em um mês difícil, esse resgate de memórias me ajudam a preencher e assinar o cheque com a energia certa. E mesmo tendo acabado de investir uma quantia considerável por mais um mês no imóvel onde está situado meu Mo Gun. Bebo meu espresso no Café Zoro feliz. Sabe, um dia voce está ali, sem conseguir fazer o acerto da sua própria prática. E no outro, você acaba desenvolvendo um gosto especial pela aventura de mensalmente, não saber exatamente como o mês vai fechar... É algo estranho. Me pergunto se algum To Dai topará esse desafio no futuro, e bebo mais um gole de espresso. 

If an appointment is scheduled at a certain time, I arrive at the Mo Gun at least half an hour early to organize everything, before the appointment starts. From a quick necessary cleanse, to even disconnecting from the previous appointment and tuning in to the next one, these are things I do in this time. However, sometimes I arrive at the Mo Gun and even though I have booked with some To Dai, some end up arriving just in time for the activity. So many times in front of the practitioner who is starting, I find myself obliged to give the guidelines of what will be worked on for the To Dai that had just arrived. What this To Dai may not realize is that this kind of attitude will weaken his own leadership towards that person. Because, even though he will be more mature and prepared in the future, what was the “signature” that he previously left in this relationship?
At a time like this, I don't think I'm doing a good job as a Si Fu. I remember the times when Si Fu talked about accuracy related to arrival time with me over the years. And I wonder if I can do the same job with the next generation.
The 5th day of each month always arrives mysteriously too fast, and it's time to pay the rent again. I've been paying directing in the bank account for three months, but before that I used to take a check sheet, my Walkman and walk all the way to the real estate office on the other side of Méier wild neighborhood. With that, it was possible for me to go through some landmark points in the neighborhood, for my career. Many memories about moments of life and people come to mind on these walks. However, there are many memories of the will to win that was very present in the beginning. And when I arrive at the real estate office, even on a bad day or a difficult month, these memories help me to write and sign the check with the right energy. And even though I have just invested a considerable amount for another month, in the property where my Mo Gun is located, I drink my espresso at Café Zoro very happy. You know, one day you're there, struggling to pay your fees to your Si Fu. And on the other, you end up developing a special taste for the adventure of monthly, not knowing exactly how the month is going to end... It's something strange. I wonder if any To Dai will be up to this challenge in the future, and I take another sip of espresso.


[O dia em que entrei na Família Kung Fu. Si Suk Ursula me observa]
[The day I joined the Kung Fu Family. Si Suk Ursula watches me]

Por muitas vezes, fico um pouco mais no Mo Gun além dos díscipulos quando acaba o jantar ou as atividades - “O senhor ainda vai ficar mais, Si Fu?” - É uma pergunta que escuto muito. Gosto de ser o último a sair e a fechar a porta. Pois assim como quando chego mais cedo do que o compromisso marcado, gosto de sentar no meu lugar preferido e pensar sobre o dia. Em alguns momentos, me sinto um maestro, pois em várias oportunidades, cada To Dai parece um músico de uma orquestra. Você precisa estar atento para perceber a desafinação do instrumento de um To Dai, para poder ajudá-lo a se antecipar a um processo que possa prejudicá-lo antes mesmo que ele perceba. O desejo de parar e afinar o instrumento e retomar depois, ou de continuar tocando ainda que desafinado, até ter a chance de acertar sempre será da pessoa. E por causa disso, por vezes me perguntei se isso só era possível por ter um Mo Gun e não vários. E após muito refletir, descobri que prefiro desse jeito mesmo. É melhor ter a quantidade de alunos que eu sinta a possibilidade de monitoramento. Eu tive uma chance única dada pelo meu Si Fu e outras pessoas que cuidaram da minha jornada. Gostaria de dar essa oportunidade a uma nova geração também. Ou apenas imaginar que sou capaz disso.

Many times, I stay a little longer in the Mo Gun besides the disciples - “Are you still going to stay longer, Si Fu?” - It's a question I hear a lot. I like to be the last to leave and close the door. Because just like when I arrive earlier than the appointment, I like to sit in my favorite spot and think about the day. At times, I feel like a maestro of an orchestra, because at times, each To Dai looks like a musician in an orchestra. You need to be attentive to notice the out of tune of a To Dai instrument, so you can help him anticipate a process that could harm him before he even realizes it. The desire to stop and tune the instrument and resume later, or to continue playing even if out of tune, until having the chance to get it right will always belong to the person.  And because of that, I sometimes wondered if this was only possible by having one Mo Gun and not several. And after much reflection, I found that I prefer it that way. It's better to have as many students as I feel the possibility of monitoring. I had a unique chance given by my Si Fu and other people who took care of my journey. I would like to give this opportunity to a new generation as well.Or just imagine that I'm capable of it.
[Com Si fu em 25 de Outubro de 1999]
[With Si fu in October 25, 1999]

Quando voce se torna Si Fu, vão haver muitos desafios relacionados a relação com os To Dai. Voce vai dar o seu máximo, e o To Dai não vai perceber ou valorizar. Porém, muitas vezes um To Dai vai fazer o melhor que pode, e você também não vai perceber. Por isso, o Baai Si é tão importante. Uma relação vitalícia, permite que momentos bons ou ruins, sejam recortes de um todo. Porém, é muito comum antes dos primeiros dez anos de uma Família Kung Fu, mesmo seus To Dai mais antigos, concordarem com tudo que você propõe. Eu sempre fiquei atento a maneira com a qual eu transmito o Ving Tsun. Meu acesso ao Ving Tsun, se deu através de meu Si Fu diretamente ou indiretamente através de Si Suk, que praticaram sob sua tutela. Eles eram os melhores! E naqueles tempos de altas aventuras, mesmo tendo dificuldade de entender como o Chi Sau me ajudaria a me tornar um lutador, eu respeitava a transmissão daquelas pessoas. E eu quero que respeitem a minha também. Por isso, sempre procuro me dedicar a melhorar minha capacidade de transmissão. Costumo falar para meus alunos, que qualquer pessoa que atravessa a porta de nosso Mo Gun, é um mestre em potencial. Aprendi isso com meu Si Fu. E cabe a mim, estar preparado para acolher essa pessoa da melhor maneira possível. Acontece que quando você pensa que fez um excelente trabalho, ainda assim você não conseguiu conectar com a pessoa. Quando você estava no seu pior dia, a pessoa adorou a aula. E junto disso tudo, tem o próprio dever de compartilhar essa mentalidade com meus alunos. Acho que essas coisas, não estão no nosso controle. Mas eu gosto de imaginar que estejam. Por isso, quando estou com um aluno, eu lembro que represento quatrocentos anos de uma Linhagem ininterrupta. E ali só vai caber 100% do que eu tiver para dar. 

When you become Si Fu, there will be many challenges related to the relationship with the To Dai. You will do your best, and the To Dai will not notice or appreciate it. However, many times a To Dai will do the best he can, and you won't notice either. That's why Baai Si is so important. A lifelong relationship allows good or bad moments to be clippings of a whole. However, it is very common before the first ten years of a Kung Fu Family, even your oldest To Dai, to agree with everything you propose. I have always been attentive to the way in which I transmit Ving Tsun. My access to Ving Tsun was through my Si Fu directly or indirectly through Si Suk, who practiced under his tutelage. They were the best! And in those days of high adventure, even though I had difficulty understanding how Chi Sau would help me become a fighter, I respected the transmission of those people. And I want you to respect mine too. Therefore, I always try to dedicate myself to improving my transmission capacity. I often tell my students that anyone who walks through the door of our Mo Gun is a potential master. I learned this from my Si Fu. And it's up to me to be prepared to welcome that person in the best possible way. It turns out that when you think you've done a great job, you still haven't been able to connect with the person. When you were having your worst day, the person loved the class. And along with all that, it's my duty to share that mindset with my students. I think these things are out of our control. But I like to imagine they are. So when I'm with a student, I remember that I represent four hundred years of an unbroken Lineage. And only 100% of what I have to give will fit there.


Um dia eu liguei para o Si Fu. Era o ano de 2011. Eu estava passando muito mal e não conseguia sair da cama. Era o dia mais cheio do recém aberto Núcleo Méier. Perguntei o que deveria fazer. Ele fez algumas considerações, e eu entrei em contato com cada praticante perguntando se poderíamos trocar as atividades daquela Quarta para a Quinta. Lembro de falar com o Fabio Sá, e ele não entender bem a ligação, eu realmente estava envergonhado de ter que remarcar. Então cada uma das atividades, foram remanejadas para Quinta. No dia seguinte, eu estava completamente recuperado. 
Aquela, foi a minha primeira grande experiência de transformação como profissional. - Eu posso até ficar doente, todo mundo fica, mas não por muito tempo. Tem muito trabalho a ser feito. - “Será que um dia algum To Dai vai compartilhar desse pensamento também?”- Eu penso.  Afinal, esse é o resultado do que aprendi, em 23 anos ininterruptos na Família Kung Fu com meu Si Fu. Eu nunca desisti. 

One day I called Si Fu on the phone. It was the year 2011. I was feeling very sick and couldn't get out of bed. It was the busiest day at the newly opened MYVT Méier School. I asked what I should do. He made some considerations, and I contacted each practitioner asking if we could switch activities from Wednesday to Thursday. I remember talking to Fabio Sá, and he didn't understand the call well, I was really embarrassed to have to reschedule. Then each of the activities were relocated to Thursday. The next day, I was completely recovered.
That was my first big transformation experience as a professional. - I can even get sick, everyone does, but not for long. There's a lot of work to be done. - “Will one day some To Dai share this thought too?”- I think sometimes . After all, this is the result of what I learned, in 23 uninterrupted years in the Kung Fu Family with my Si fy. I never gave up.

A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com


 


 





segunda-feira, 24 de outubro de 2022

A NEW “BAAI SI” INVITATION IN RIO DE JANEIRO

 



[O jovem Daniel no centro, ao fundo seu irmão Lucas e a direita sou eu].
[Young Daniel in the middle, his brother Lucas in the background and me on the right].

Faltavam poucas semanas para o 1º Baai Si que ocorreria na minha Família Kung Fu. Si Fu me pediu que buscasse o Si Gung no aeroporto. Acho que o Guilherme Farias estava no carro comigo. Pegamos um engarrafamento muito grande a caminho do bairro de Jacareaguá. Ainda no bairro da Barra da Tijuca, Si Gung perguntou se não gostaríamos de aproveitar melhor o momento com ele. E quando tive a oportunidade, perguntei a respeito do que ele achava do Baai Si que ocorreria em minha Família Kung Fu. Ele teria dito algo como - “ ...Não sei... Você que tem que pensar se foi precipitado ou não. Imagina que os três se afastem logo depois. Como vai ser? ” - Indagou ele no banco do carona enquanto eu dirigia. Logo depois prosseguiu - “...Então isso é algo que você tem que pensar como Si Fu...” - Concluiu. 
O “Baai Si” ainda é pouco compreendido... Quando meu Si Fu falava em “apostar na relação”, eu não entendia a profundidade do que ele dizia. Hoje, percebo que existe um nível em que é impossível que não se haja uma porção de “aposta”. Podem lhe perguntar, sobre como você sabia que “daria certo” uma escolha que você fez. Porém, de fato você nunca soube, porque por mais que tenha estudado as circunstancias, e se atentado aos recursos disponíveis. Parte do jogo sempre foi sorte. E assim também o é, com o “Baai Si”.

There were a few weeks left for the 1st Baai Si that would take place in my Kung Fu Family. Si Fu asked me to pick up Si Gung Leo Imamura at the airport. I think Guilherme Farias was in the car with me. We had a very big traffic jam on the way to the Jacareaguá neighborhood. Still in Barra da Tijuca area, Si Gung asked if we would like to enjoy the moment with him better. And when I had the opportunity, I asked him what he thought of the Baai Si that would occur in my Kung Fu Family. He would have said something like - “...I don't know... You have to think if you were precipitate or not. Imagine the three of them leaving soon after. How is it going to be? ” - He asked in the passenger seat while I was driving. Soon after, he continued-“... So this is something you have to think as a Si Fu...”-He concluded.
The “Baai Si” is still poorly understood... When my Si Fu talked about “betting on the relationship”, I didn't understand the depth of what he was saying. Today, I realize that there is a level where it is impossible not to have a lot of “betting”. You may be asked about how you knew that a choice you made would "work out." However, in fact, you never knew, because no matter how much you studied the circumstances, and tried the available resources. Part of the game has always been luck. And so it is, with the “Baai Si”.
[Daniel já com 18 anos de idade, me entrega um 'Hung Baau' após ser formalmente convidado. 
Seu irmão Lucas aparece a esquerda]
[Daniel, now 18 years old, hands me a 'Hung Baau' after being formally invited.
his brother Lucas, in the left]

Quando conheci Lucas Eustáquio com seus 11 anos de idade, ele usava um cabelo em forma de tigela. Me lembrava muito o personagem Daniel, da novela mexicana Carrossel, que eu assistia todos os dias em 1991. Mais tarde, quando ficamos por cinco meses sem um espaço e usávamos casas e locais de trabalhos de alunos que gentilmente nos acolheram nesse período. A casa do Lucas era um desses locais. Ele morava em uma vila, e salvo engano, eu entrava e passava pela sala onde o seu irmão mais novo Daniel estava assistindo algum desenho. Quando Daniel completou sete anos de idade, Daniel começou a praticar conosco. Agora com 18 anos, Daniel foi convidado para o “Baai Si”. 
Si Gung tem falado muito que no processo de “Educação Kung Fu”, o praticante é que deve escolher a arte, o sistema e o mentor. E fiquei refletindo muito sobre isso nos últimos tempos... Então, numa certa Sexta-feira Daniel sentou-se a minha frente antes das atividades se iniciarem. Nessas horas, conversamos um pouco até que os demais chegam. Neste dia porém, Daniel falou sobre seu desejo de fazer o “Baai Si”. Conversamos a respeito, e sugeri que ninguém melhor do que seu irmão Lucas, para ser o seu “Gaai Siu Yan” [Apresentador Formal]. 

When I met Lucas Eustáquio when he was 11 years old, he had bowl-shaped hair. It reminded me a lot of the character Daniel, from the Mexican soap opera Carrossel, which I watched every day in 1991. Later, when we were without a space for five months and used the homes and workplaces of students who kindly welcomed us during this period. Lucas' house was one of those places. He lived in a small vila, and if I'm not mistaken, I walked in and passed the room where his younger brother Daniel was watching some cartoon. When Daniel was seven years old, Daniel started practicing with us. Now 18 years old, Daniel was invited to the “Baai Si”.
Si Gung has said a lot that in the process of “Kung Fu Education”, the practitioner must choose the art, the system and the mentor. And I've been thinking about it a lot lately... So, on a certain Friday, Daniel sat in front of me before the activities started. At these times, we talk a little until the others arrive. On this day however, Daniel spoke about his desire to do the “Baai Si”. We talked about it, and I suggested that no one better than his brother Lucas, to be his “Gaai Siu Yan” [Formal Presenter].

[Da esq. p/ dir. - Lucas, Daniel, José, Rodrigo, eu, Matheus, Dimitri e Ribeiro]
[From left to right - Lucas, Daniel, José, Rodrigo, me, Matheus, Dimitri and Ribeiro]

Bom, o que é necessário para fazer o Baai Si ? Tem uma parte que é subjetiva, mas ouvi recentemente algo que me tocou muito. A ideia de você perceber que tem espaço no seu coração, ou simplesmente na sua vida, para o Si Fu e para a Família Kung Fu. Quando você percebe que esse espaço existe e que você é minimamente capaz de bancá-lo, talvez seja um bom momento. 
Ouvindo o Daniel me pedir para fazer o Baai Si, tomei por bom agouro. Lembrei-me de algo que havia esquecido... Eu mesmo pedi ao meu Si Fu para fazer o Baai Si com ele numa lanchonete de um posto de gasolina em Fevereiro de 2007. Eu nunca fui convidado, eu que disse que queria.
 Minha “Gaai Siu Yan” é a melhor de todos os tempos: A minha Si Suk Ursula. Pois em todos esses anos, desconheço uma relação de “Gaai Siu Yan” tão especial quanto a nossa. Bom, pensando agora, a dela com meu Si Fu também é muito especial. É verdade!
Por isso, coube a Lucas consolidar esse meu bom pressentimento, com uma das melhores apresentações que já vi alguém fazer. Era um café da manhã em nosso querido “Café Zoro”, e Lucas com muita eloquência, reapresentou seu irmão agora em um novo contexto. 
A Cerimonia está agendada para o próximo dia 29 de Outubro de 2022, e aqui faço também uma menção aos pais do Daniel, a Sra Andréia e o Sr Fabio, que sempre confiaram no trabalho e que gentilmente cederam sua casa quando precisei. Obrigado. 

Well, what is needed to do Baai Si? There is a part that is subjective, but I recently heard something that touched me a lot. The idea of ​​you realizing that you have space in your heart, or simply in your life, for Si Fu and the Kung Fu Family. When you realize that this space exists and that you are at least able to keep going, maybe it's a good time.
Hearing Daniel asking me to do the Baai Si, I took it as a good omen. I remembered something I had forgotten... I even asked my Si Fu to do Baai Si with him in a cafeteria at a gas station in February 2007. I was never invited, I said I wanted to.
 My “Gaai Siu Yan” is the best ever: My Si Suk Ursula. Because in all these years, I don't know a relationship of “Gaai Siu Yan” as special as ours. Well, thinking about it now, hers with my Si Fu is also very special. It is true!
So it was up to Lucas to consolidate this good feeling of mine, with one of the best presentations I've ever seen someone give. It was breakfast at our dear “Café Zoro”, and Lucas eloquently re-introduced his brother now in a new context.
The Ceremony is scheduled for the next October 29, 2022, and here I also mention Daniel's parents, Mrs Andréia and Mr Fabio, who always trusted the work and who kindly let me use their house as a Kung Fu school when I needed it. Thanks.

A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com


 


 

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

There is a genius in the Kung Fu Family - An allegory with the ocean.

[Em 2007 no aniversário da Matriarca da Linhagem Moy Yat]
[In 2007 on the birthday of the Matriarch of the Moy Yat Lineage]

Eu costumo fazer alegorias com o oceano e a praia quando algo acontece ou está acontecendo comigo... Vamos supor, que estou prestes a adentrar um novo projeto ou um momento de vida, em que tudo parece mais incerto do que costuma ser... Eu poderia me imaginar num frágil barquinho de madeira, me afastando cada vez mais da beira da praia em direção ao alto mar. Da mesma maneira, quando um relacionamento acaba, agora fica uma pessoa na beira da praia e me afasto novamente no mesmo barco. Porém, tem uma outra imagem que vem a minha cabeça... Desta vez sou eu nadando, em direção a uma bóia meteoceanográfica... O caminho até ela não será fácil, mas ela representa um marco a ser alcançado. E é desta maneira que percebo quando alguém tem um maior nível de excelência em relação a mim em alguma atividade. Essa pessoa se torna essa bóia flutuando em mar aberto... Algumas vezes, alcanço rápido, outras nem tanto, e outras vezes, essa bóia flutuando é o Si Hing Leonardo...

I usually make allegories with the ocean and the beach when something happens or is happening to me... Let's say, I'm about to enter a new project or a moment in life, where everything seems more uncertain than it usually is... I could imagine myself in a fragile wooden boat, moving further and further from the shore towards the open sea. In the same way, when a relationship ends, there is now one person on the shore and I walk away again in the same boat. However, there's another image that comes to my mind... This time it's me swimming, towards a meteoceanographic buoy... The path to it won't be easy, but it represents a milestone to be reached. And this is how I perceive when someone has a higher level of excellence than me in some activity. This person becomes this buoy floating in the open sea... Sometimes I catch up quickly, other times not so much, and other times, this buoy floating is Si Hing Leonardo...
[Ao desenvolver nossa amizade, descobri a paixão do Si Hing e sua esposa por Tênis. 
Então presenteei eles com duas das minhas biografias favoritas. 
Uma do Andre Agassi e outra da Sharapova]

[By developing our friendship, I discovered Si Hing and his wife's passion for tennis.
So I presented them with two of my favorite biographies.
One from Andre Agassi and one from Sharapova]


O Si Fu costuma falar que uma de minhas maiores fraquezas é minha mania de me comparar, mas é algo quase irresistível em alguns casos. Já estou completando dois anos de práticas constantes com o Si Hing Leo[FOTO]. E inclusive já escrevi sobre esses momentos em algum artigo... Porém, nos primeiros momentos não foi nada fácil. Você pode se imaginar acordando bem cedo, e saindo para praticar com alguém que sem fazer esforço algum, vai mostrar para você que todo o seu esforço e dedicação, ainda estão a anos luz dele. Eu pensava em porque estava indo, depois lembrava de toda a organização que precisei fazer, para ter aquela manhã livre com o Si Hing e pensava também na dedicação dele em me receber. 
Depois de mais de um ano de prática, como sempre caminhávamos até o meu carro, no clima gostoso do vento que bate nas ruas arborizadas de seu condomínio. Antes de dizer “Até logo” eu resolvi fazer um pedido - “Si Hing, queria te pedir uma coisa...” - Ele não se conteve em rir, provavelmente esperando algum pedido excêntrico por me conhecer por tanto tempo - “...Eu hoje me garanto no que se refere a prática com o bastão...” - Ele disse “ sei” agora mais sério - “... Mas eu queria saber, se você me ajuda a ficar melhor do que você no 'Chi Sau'...” - O Si Hing riu e aceitou. 
Talvez, você se pergunte o que se ganha com isso, mas eu realmente estava interessado em entender como alguém consegue ficar tão bom como ele é em “mãos livres”.

Si Fu usually says that one of my biggest weaknesses is my habit of comparing myself, but it's something almost irresistible in some cases. I'm already completing two years of constant practice with Si Hing Leo[PHOTO]. And I've even written about these moments in an article... However, in the first moments it was not easy. You can imagine waking up very early, and going out to practice with someone who, without making any effort, will show you that all your effort and dedication, are still light years away from him. I thought about why I was going, then I remembered all the organization I needed to do, to have that free morning with Si Hing and I also thought about his dedication to receiving me.
After more than a year of practice, as always, we walked to my car, in the pleasant weather of the wind that hits the tree-lined streets of his condominium. Before saying "See you later" I decided to make a request - "Si Hing, I wanted to ask you something..." - He couldn't help but laugh, probably expecting some eccentric request for knowing me for so long - "... Today I guarantee myself when it comes to practice with the Luk Dim Bun Gwan..." - He said "I know" now more seriously - "... But I wanted to know, if you help me get better than you at 'Chi Sau '...” - Si Hing laughed and accepted.
You may wonder what's in it for me, but I was really interested in understanding how someone manages to get as good as he is in "free hands" practice.



Geralmente, essas práticas com o Si Hing ainda ficavam ressoando por dias. Praticamos juntos todas as Sextas, e as Segundas costumo tomar um espresso com o Carlos[foto]. Gastava grande parte do nosso momento, falando das proezas e entendimentos do Si Hing. Carlos acabou se empolgando e começou a ir até a casa dele também, umas vez por semana, para praticar. 
Quando então estive com o Si Gung, comentei com ele que mesmo não tendo uma interação com o restante do Grande Clã, com seminários e nem nenhum desses encontros. O Si Hing Leo parecia sempre estar em sintonia com as coisas mais avançadas que o Si Gung traz nesses estudos. Isso sem contar, que presenciar as interações e reflexões técnicas dele e do Si Fu, me faziam me sentir perdido. Sobre isso, Si Gung comentou - “...Talvez seu Si Hing seja um gênio,mas acho que voce não deveria se depreciar tanto. É legal a admiração que você tem por ele, mas talvez você não esteja tão atrás quanto pensa...” - Si Fu havia feito a mesma consideração quando esteve em minha casa em Abril, mas confesso que é difícil enxergar isso. 
Estamos revendo o Sistema inteiro nos seus mínimos detalhes. Si Hing Leo tem tanta coisa pra compartilhar, que as vezes preciso pedir que não extrapole a natureza do Domínio que combinamos trabalhar[risos]. E atualmente chegamos ao “Biu Ji”, e esse é um tópico que tenho me dedicado muito. E em poucos minutos ele fez uma série de considerações tão inteligentes e tão sintonizadas com o que se discute hoje no Grande Clã, que eu soltei uma gargalhada espontanea, foi mais forte do que eu. Ele perguntou o que foi, e eu comentei - “Cara, você tem ideia do quanto eu estudei pra entender isso?E pra você é como se não fosse nada...É surreal” - Eu  me senti desconcertado e não conseguia parar de sorrir, enquanto mantinha as mãos na cintura e olhava para baixo. O Si Hing percebendo, falou que cada um de nós temos um caminho diferente para chegarmos ao entendimento do Sistema. Eu sei disso. Mas ali não estava o Si Fu Thiago ou o Mestre Thiago Pereira. Ali eu era um praticante frustrado.

Generally, these practices with the Si Hing were still resonating for days. We practice together every Friday, and on Mondays I usually have an espresso with Carlos [photo]. I spent much of our time talking about Si Hing's skills and understandings. Carlos ended up getting excited and started going to his house too, once a week, to practice with Si Hing Leo.
When I was with Si Gung Leo Imamura, I commented to him that even though Si Hing Leo did not interact with the rest of the Grand Clan, with seminars or any of these meetings. Si Hing Leo always seemed to be in tune with the most advanced things that Si Gung brings in these studies. Not to mention that witnessing his and our Si Fu's interactions and technical reflections made me feel lost. About this, Si Gung commented - “...Maybe your Si Hing is a genius, but I think you shouldn't depreciate yourself so much. It's nice the admiration you have for him, but maybe you're not as far behind as you think...” - Si Fu had made the same consideration when he was at my house in April, but I confess that it's hard to see that.
We are reviewing the entire System down to the smallest detail. Si Hing Leo has so much to share, that sometimes I need to ask him not to extrapolate the nature of the Domain we agreed to work on [laughs]. And currently we come to “Biu Ji”, and this is a topic that I have been dedicated a lot. And in a few minutes he made a series of remarks so intelligent and so in tune with what is being discussed today in the Grand Clan, that I burst out laughing spontaneously, it was stronger than me. He asked what it was, and I commented - “Man, do you have any idea how much I studied to understand this?And for you it's like it's nothing... It's surreal“. I smile, while keeping my hands on my hips and kept myself looking down. Si Hing, noticing and said that each of us has a different path to understand the System.I know that. But right there, I was not Si Fu Thiago or Master Thiago Pereira . There I was only a frustrated practitioner.

[O agradável condomínio onde vive o Si Hing].
[The pleasant condominium where Si Hing lives].


Demoramos dezesseis anos para desenvolvermos essa relação “Si Hing-Dai”. Em nossa primeira interação dezesseis anos atrás, tentei tudo o que achava certo no Chi Sau até que fui derrubado, e fiquei com o rosto sendo pressionado contra o chão pelo joelho do Si Hing - “Se continuar assim, você vai se machucar.”- Disse ele. Um ano depois, numa manhã de Sexta tentei de novo, e meu nariz quebrou. 

Mas eu consegui minha primeira vitória depois de tanto tempo: Convencer o Si Hing sobre a importância de tomar um espresso ao final da prática. Hoje nosso “café”, é um momento onde fazemos as considerações e conversamos sobre filmes, séries e reclamamos do que estão fazendo com “ Star Wars”. Isso se tornou parte fundamental de nossos encontros. Quem conhece o Si Hing, sabe que ele ficaria praticando até o último minuto. Porém, ainda penso nessa bóia meteoceanográfica flutuando no horizonte - “Será que se nadar muito, um dia eu alcanço? E o que eu faço se alcançar? Será que dá pra passar dela? E o que será que tem depois?” - Eu me pergunto.

Para um Mestre de Ving Tsun, um Líder de Família Kung Fu, talvez sejam motivações sem sentido. Porém, ainda existe um romântico das artes marciais, além desses títulos. E esse cara, ainda quer alcançar a tal boia flutuando no mar, chamada Leonardo Reis e ver o que acontece.

It took us sixteen years to develop this “Si Hing-Dai” relationship. In our first interaction sixteen years ago, I tried everything I thought was right at Chi Sau until I was knocked down, and my face was pressed against the floor by Si Hing's knee - "If you keep this up, you'll get hurt."- He said. A year later, on a Friday morning, I tried again, and my nose broke.

But I got my first victory after so long: Convincing Si Hing about the importance of having an espresso at the end of the practice. Today our "coffee time" is a moment where we make considerations and talk about movies, series and complain about what they are doing with "Star Wars". This became a fundamental part of our meetings. Anyone who knows Si Hing knows that he would be practicing until the last minute. However, I still think about this meteoceanographic buoy floating on the horizon - “Could it be that if I swim a lot, one day I'll catch up? And what do I do if I reach it? Is it possible to go beyond it? And what's next?" - I wonder.

For a Ving Tsun Master, a Kung Fu Family Leader, maybe these are meaningless motivations. However, there is still a martial arts romantic beyond these titles. And this guy still wants to reach that buoy floating in the sea, called Leonardo Reis, to see what happens.

A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com


 







 

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

An essay on Kung Fu Life for youngsters - Resilience and Open Heart

 

Quando Daniel olhou orgulhoso para o ventilador que havia acabado de instalar [FOTO], mal ele sabia o quanto de coisas foram necessárias acontecer para este seu feito no último Sábado. 
Encontrei Daniel e Rodrigo Caputo [dentro outros] as 7am daquela manhã. Por conta da disponibilidade que ambos tem apresentado nesse momento, para experiências de Vida-Kung Fu, foi possível pedir aos dois que retirassem o ventilador do segundo andar de nosso Mo Gun, e o instalasse no lugar do que havia queimado na sala de prática. Esse pedido não foi feito a toa para eles...

When Daniel looked proudly at the fan he had just installed [PHOTO], little did he know how many things had to happen for this feat of his last Saturday.
I met Daniel and Rodrigo Caputo [among others] at 7am that morning. Due to the open heart that both have presented at that moment, for Kung Fu-Life experiences, it was possible to ask the two to remove the fan from the second floor of our Mo Gun, and install it in the place of what had burned in the practice room. This request was not made for nothing for them...
Rodrigo [FOTO] está comigo desde o início de minha carreira, e por ter começado muito criança, o processo de Vida-Kung Fu foi apresentado em níveis de complexidade condizentes com sua maturidade e disponibilidade a cada momento. Alguns profissionais de artes marciais de outras linhagens, me perguntam como conseguimos um nível de engajamento que dure por tantos anos. Eu atribuo isso ao processo orientado de Vida-Kung Fu. O praticante de fato vai aos poucos, tomando consciência de uma série de coisas nesses momentos, mas é preciso que se faça com muita ética. Afinal, não podemos confundir um favor, com provimento de Vida-Kung Fu.
Sobre isso, meu Si Fu  teria dito certa vez para mim - “Pereira, se você quer água, você levanta e pega. Agora, se você acha que pedir a alguém para pegar água para você, vai ajudar a pessoa a tomar consciência sobre o 'zelo', então peça.” - Sendo assim, quando tenho alguma demanda e preciso da ajuda de um aluno, faço questão de pedir “Por favor”. Assim, fica clara a natureza do pedido. 
No caso do Rodrigo[foto acima], em 2012, passar um pano para tirar a poeira do Mo Gun, era um desafio. A ideia de “Deixar o lugar melhor do que estava quando chegamos”, não é algo comum.

Rodrigo [PHOTO] has been with me since the beginning of my career, and as he started very young, the Kung Fu-Life process was presented at levels of complexity consistent with his maturity and availability at every moment. Some martial arts professionals from other lineages ask me how we managed to achieve a level of engagement that lasts for so many years. I attribute this to the guided process of Kung Fu-Life. The practitioner actually goes slowly, becoming aware of a series of things at these moments, but it is necessary to do it with great ethics. After all, we cannot confuse a favor with the provision of Kung Fu-Life.
About this, my Si Fu would have said to me once - “Pereira, if you want a glass of water, you get up and get it. Now, if you think asking someone to fetch you a glass of water will help them become aware of 'zeal', then ask it.” - So, when I have a demand and I need the help of a student, I make a point of asking “Please”. Thus, the nature of the request is clear.
In the case of Rodrigo [photo above], in 2012, remove the dust from the Mo Gun was a challenge. The idea of ​​“Leave the place better than it was when we arrived”, is not something common.

Dois anos depois, ainda no mesmo endereço, pedi a Rodrigo que concertasse o sifão da pia[FOTO]. Todos os materiais necessários estavam a sua disposição, mas ele precisou procurá-los pelo Mo Gun. Rodrigo gastou as duas horas que costumava dispor depois da escola, e não conseguiu fazer um bom trabalho. Ficou pingando água, mas “havia dado o horário dele” - “Si Fu, eu preciso ir.”- Disse-me.
Coube a mim consertar o sifão no período do final da tarde, para que os praticantes que chegassem a noite, pudessem utilizar a pia. 
Rodrigo não tinha experiência nenhuma em fazer tal coisa, eu sabia disso. Porém, ninguém tem experiência ao tentar entrar em “Yi Ji Kim Yeung Ma” pela primeira vez também. Acredito, que o exotismo da coisa em si para o praticante, carregue o potencial que ele precisa para a tomada de consciência. 

Two years later, still at the same address, I asked Rodrigo to fix the siphon in the sink [PHOTO]. All the necessary materials were at his disposal, but he had to look for them in the Mo Gun. Rodrigo spent the two hours he used to have after school, and he couldn't do a good job. The sink kept dripping water, but he said to me ”-“Si Fu, I need to go home.”-He told me.
It was up to me to fix the siphon in the late afternoon, so that practitioners who arrived at night could use the sink.
Rodrigo had no experience doing such a thing, I knew that. However, no one has experience trying to get into “Yi Ji Kim Yeung Ma” for the first time either. I believe that the exoticism of the thing itself, for the practitioner, carries the potential he needs for awareness.

Dez anos se passaram, e mesmo com um semblante de menino, Rodrigo é um empresário de sucesso que acabou tornando ele o que chamam de “influencer” no ramo que atua. Rodrigo lida com fornecedores que não entregam os pedidos no prazo, com a necessidade de escolher o melhor material para o produto que oferece, está sempre estudando o rebranding da sua empresa, mas apesar disso tudo, eu sabia que Rodrigo nunca tinha furado uma parede na vida... 
Pedi a Rodrigo para que num espaço de tempo curto, colocasse um quadro na parede da sala de prática. Desta vez, alguns dos materiais necessários não estavam disponíveis, ele teria que “se virar”. 
Rodrigo ficou bem tenso e o quadro acabou ficando torto. Passaram-se três semanas, e chamei a atenção dele a respeito do quadro. Meu Si Fu costuma falar sobre o conceito de “constrangimento educativo”, portanto perguntei isso na presença de outras duas pessoas. Rodrigo fechou a guarda, e passamos quase cinquenta minutos falando sobre Vida-Kung Fu. 
Rodrigo então voltou ao Mo Gun três vezes para consertar a posição do quadro, mas sempre esquecia algum material. Finalmente, mais relaxado, conseguiu colocar o quadro no lugar[FOTO]. 
Conversamos sobre sua experiencia. Si Gung disse recentemente que a Vida-Kung Fu precisa ser um processo, e um processo para ser considerado como tal, precisa de três momentos: O pré, o trans e o pós evento. 

Ten years have passed, and even with a boyish look, Rodrigo is a successful businessman who ended up making him what they call an “influencer” in the field he works. Rodrigo deals with suppliers that do not deliver orders on time, with the need to choose the best material for the product he offers, he is always studying the rebranding of his company, but despite all that, I knew that Rodrigo had never drilled a wall in life...
I asked Rodrigo to put a frame on the wall of the practice room in a short space of time. This time, some of the necessary materials were not available, he would have to “make his own”.
Rodrigo was very tense and the frame ended up being crooked. Three weeks passed, and I brought the frame again to his attention. My Si Fu usually talks about the concept of “educational embarrassment”, so I asked this in the presence of two other people. Rodrigo closed the guard, and we spent almost fifty minutes talking about Kung Fu- Life.
Rodrigo then returned to the Mo Gun three times to fix the position of the frame, but he always forgot some material. Finally, more relaxed, he managed to put the frame in place [PHOTO].
We talked about his experience. Si Gung recently said that Kung Fu-Life needs to be a process, and a process to be considered as such, needs three moments: The pre, the trans and the post event.
[O jovem Daniel tenta descobrir como conectar a fiação 
do ventilador sob o monitoramento de seu Si Hing Rodrigo]

[Young Daniel tries to figure out how to connect the wiring
of the fan under the monitoring of hisSi Hing Rodrigo]

Quando pedi a Rodrigo e Daniel que trocassem os ventiladores, queria saber o quanto Rodrigo tinha aprendido e como Dani lidaria com a situação. Rodrigo fez parte do trabalho e junto de Daniel decidiram pausar, até que as praticas acabassem. Já faziam duas horas que havia chegado em casa naquele Sábado, e ambos ainda estavam lá instalando o ventilador. Além deles, outros irmãos-Kung Fu acompanhavam o trabalho. 
Foram dez longos anos desde que Rodrigo largou o sifão da pia pingando água, até poder ter uma nova oportunidade com a aventura do quadro, para finalmente dar o exemplo aos seus irmãos Kung Fu mais novos. 
Este foi um processo muito especial de aprendizado de resiliência, para terminar o que se comprometeu a ser feito. Porém, isso tudo só é possível, se a pessoa estiver com o coração aberto para a Vida-Kung Fu. Caso a pessoa apenas cumpra a tarefa, ou o pedido tenha sido feito por uma necessidade pessoal do tutor. A pessoa só terá aprendido a pendurar um quadro na parede, ligar um ventilador ou a trocar um sifão. 

When I asked Rodrigo and Daniel to change the fans, I wanted to know how much Rodrigo had learned and how Dani would handle the situation. Rodrigo was part of the work and together with Daniel they decided to take a break, until the practices were over. It had been two hours since I've gotten home that Saturday, and they were still there installing the fan. Besides them, other Kung Fu brothers followed the work.
It was ten long years since Rodrigo dropped the siphon from the sink dripping water, until he had a new opportunity with the adventure of the frame on the wall, to finally set an example for his younger Kung Fu brothers.
This was a very special resilience learning process, to finish what you committed to do. However, all this is only possible if the person has an open heart for Kung Fu-Life. If the person only fulfills the task, or the request was made by the tutor's personal need. The person will only have learned to hang a picture on the wall, turn on a fan or change a siphon.



A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com