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terça-feira, 13 de dezembro de 2022

VING TSUN HAS IT! My new challenge as a practitioner.

Esse sou eu em um fim de tarde de Sábado... Eu estava com o Daniel Anchieta, ainda uma criança, tentando aprender a usar selos de pedra chineses. Era a cozinha de um dos Mo Gun que meu Si Fu já dirigiu no Rio de Janeiro. Em alguma das outras salas, ele trabalhava com o pai do Daniel, meu irmão Kung Fu Vladimir, alguma parte do “Baat Jaam Do”. 
Eu estava muito concentrado em seguir as orientações do Si Fu sobre como usá-los. Eu deveria conseguir carimbar perfeitamente retângulos de papel, que depois seriam plastificados. Com isso, os selos e suas estampas ficariam em um display. Eu tinha um encontro marcado, mas achei por bem desmarcar e continuar me concentrando no trabalho... Eu não queria parar na metade, e quanto mais errava, mais me irritava e errava mais ainda... Era uma bela briga minha com aqueles selos de pedra... 

This is me on a late Saturday afternoon... I was with Daniel Anchieta, still a child, trying to learn how to use Chinese  seals. It was the kitchen of one of the Mo Guns that my Si Fu already directed in Rio de Janeiro. In one of the other rooms, he worked with Daniel's father, my Kung Fu brother Vladimir, some part of “Baat Jaam Do”.
I was very focused on following Si Fu's instructions on how to use the seals. I should be able to perfectly stamp paper rectangles, which would later be laminated. With that, the seals and their prints would be on a display. I had a date with a girl that night, but I thought it would be best to cancel it and continue concentrating on the chinese seals work... I didn't want to stop halfway through, and the more I made mistakes, the more it irritated me and I made even more mistakes... It was a good fight for me with those seals ...
[Cham Kiu com Si Fu]
[Cham Kiu with Si Fu]

Muitos anos antes, eu estava no segundo Domínio do Sistema Ving Tsun, o “Cham Kiu”. Eu tinha dezesseis anos, e não via como a prática semanal de “Chi Sau” poderia me deixar um melhor lutador... Eu vivia um paradoxo, porque achava meu Si Fu o máximo, e não conseguia entender como ele tinha ficado tão bom “apenas fazendo Chi Sau”. Foi então que um amigo meu me chamou para tentar novamente uma arte marcial que já havia praticado e que ele prosseguiu...  Eu fui sem avisar nada a ninguém da Família Kung Fu, então meu sentimento era de quem estava fazendo alguma coisa errada...
Eu fiz o aquecimento, os alongamentos, e a prática dessa arte marcial foi se desdobrando... Eu percebi, que minha desenvoltura estava muito melhor do que três anos antes, quando ainda era praticante desta tal modalidade... - “Como poderia ser isso possível?”- Me perguntei. E não soube responder. 
Meu amigo Rodrigo foi testemunha de que um dos faixa-pretas presentes disse que o havia chutado abaixo da medida permitida... Eu sabia que não tinha feito isso, ele parou de praticar. Com o outro, eu não tive a menor chance. Porém ao final, o professor me chamou e perguntou minha idade, quando respondi ele comentou - “Uma pena! Se já tivesse dezessete, te inscrevia no campeonato semana que vem!” - Saindo de lá com todos, já havia decidido que não voltaria mais. Me senti muito envergonhado por ter ido sem avisar, mas ao mesmo tempo muito impressionado. Eu estava aprendendo alguma coisa, e nem sabia como...

Many years before, I was in the second Domain of the Ving Tsun System, the “Cham Kiu”. I was sixteen years old, and I didn't see how the weekly practice of "Chi Sau" could make me a better fighter... I lived a paradox, because I thought my Si Fu was the best, and I couldn't understand how he had become so good" just doing Chi Sau”. It was then that a friend of mine called me to try again a martial art that I had already practiced and he continued... I went without informing anyone of the Kung Fu Family, so my feeling was that I was doing something wrong... .
I did the warm-up, the stretching, and the practice of this martial art unfolded... I realized that my resourcefulness was much better than three years before, when I was still practicing this modality... - “How could it be? Is this possible?”-  I asked myself. And I didn't know how to answer.
My friend Rodrigo was a witness that one of the black belts present said that I had kicked him below the allowed limit... I knew I hadn't done that, he stopped practicing. With the other one, I didn't stand a chance. However, in the end, the teacher called me and asked my age, when I answered he commented - “Thats bad... If you were already seventeen, I would sign you up for the championship next week!” - Leaving there with everyone, I had already decided that I would not return. I felt very embarrassed for having been there without saying nothing to anyone from the Family, but at the same time  I was very impressed. I was learning something, and I didn't even know how...

[Julinha, observa a prática de Chi Sau com o Thiago SIlva]
[Julia, watches the Chi Sau practice with Thiago Silva]

Com os anos, tomei contato com a ideia de que o “Kung Fu” não está associado apenas com o que entendemos por “luta”, e que aprender uma arte marcial, não significa aprender uma habilidade apenas para lutar. O “Kung Fu” que desenvolvemos serve para tudo... Tudo deveria estar presente durante a prática: A arte de respirar, a arte de relaxar, a arte de se concentrar, a arte de se divertir, a arte de se conhecer, e tantas outras... Você aprende sem perceber, e aprende a aprender com qualquer coisa e em qualquer momento...

Over the years, I got in touch with the idea that “Kung Fu” is not just associated with what we mean by “fighting”, and that learning a martial art does not mean learning a skill just to kill. The “Kung Fu” we developed serves for everything... Everything should be present during practice: The art of breathing, the art of relaxing, the art of concentrating, the art of having fun, the art of knowing yourself, and so many others... You learn without realizing it, and learn to learn from anything and at any time...
[Com Si Fu em uma de suas antigas moradias]
[With Si Fu at one of his former apartaments]

Meu maior desafio tem sido redescobrir a “Vida” além da “Vida Kung Fu”. Alinhar o praticante a pessoa, não tem sido uma tarefa fácil. Tenho me dedicado muito a entender melhor sobre como transpor a habilidade marcial para uma habilidade para a vida, mas o desafio parece-me interminável. Infelizmente, ainda sigo muito contaminado por uma ideia fixa sobre “Kung Fu”, e é difícil entender que nem tudo se resolve com determinação. As vezes as coisas até se resolvem sozinhas, mas deixar as coisas correrem por si mesmas para quem cultua a ação como eu, é desesperador. Porém, sei que o Ving Tsun tem tudo o que preciso. Não é necessário procurar em outro Sistema... Acho que nem teria paciência para isso... 

My biggest challenge has been to rediscover “Life” beyond “Kung Fu Life”. Aligning the practitioner with the person has not been an easy task. I have devoted a lot of time to understanding better how to transpose martial skill into a life skill, but the challenge seems endless. Unfortunately, I'm still very contaminated by a fixed idea about “Kung Fu”, and it's hard to understand that not everything can be solved with determination. Sometimes things even resolve themselves, but letting things go by themselves for someone who worships action like me, is desperate. However, I know that Ving Tsun has everything I need. It is not necessary to look in another System... I don't think I would have the patience for that...
Experiências como daquela solitária tarde de Sábado tentando usar os carimbos com assertividade, são importantes para que eu consiga quebrar um ciclo muito perigoso, que é ficar estudando o Sistema Ving Tsun, para ficar melhor ainda com relação ao Sistema Ving Tsun. Eu preciso usar o que aprendi, para conseguir usar um simples carimbo com uma pedra e uma tinta pastosa numa folha de papel. Caso eu fosse embora naquela tarde, sabia que ficaria com um sentimento de desistência dentro de mim. 
 Porém, existe uma busca maior do que essa, que é a de ser alguém que entendeu a arte de viver a vida a partir das artes marciais... Em chinês, “entender” também se diz “clarear”...  Muita coisa já se clareou, as mais importantes, seguem obscuras. E talvez, exatamente por serem importantes...
Essa é  apenas uma história de “Chi Sau” e “selos de pedra”... Não leve muito a sério. 

Experiences like that lonely Saturday afternoon trying to use the selas with assertiveness, are important for me to be able to break a very dangerous cycle, which is to study the Ving Tsun System, to get even better in relation to the Ving Tsun System. I need to use what I've learned to be able to use a simple stone seal and pasty ink on a sheet of paper. If I left that afternoon, I knew I would have a feeling of giving up inside me.
... However, there is a greater quest than that, which is to be someone who understands the art of living life based on martial arts... In Chinese, “to understand” is also called “Bright up”... Many things have already been brithen up, the most important ones remain obscure. And perhaps, precisely because they are so important...
But this is just a story of “Chi Sau” and “stone seals”... Don't take it too seriously.


A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com